O Guarani Futebol Clube não precisa de heróis

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A torcida do Guarani acompanha apreensiva e com tristeza o desenlace da crise política detonada após o arremata do Brinco de Ouro em leilão por parte do empresário Roberto Graziano, da Magnum. O presidente do Conselho Deliberativo, Paulo Souza, anunciou que vai apelar a Justiça e pedir explicações em reunião no Conselho Deliberativo na próxima terça-feira. Na Rádio Central, Graziano e Souza protagonizaram um diálogo ríspido, forte e que exibiu o clima em ebulição. No entanto, em todo esse debate dois conceitos parecem ameaçados:  esclarecimento e a criatividade.

Quando digo esclarecimento, seja a falta ou excesso do conceito, em nenhum momento me refiro a diretoria do Guarani e sim a uma parte da torcida que se recusa a assistir ao embate de idéias, a presença do contraditório. Seria como se esses torcedores tivessem tomado um calmante, capaz de entorpece-los ao ponto de ignorar todo e qualquer assunto que lhe viessem a chatear. Na ânsia de retomar o caminho das vitórias, parte da torcida não quer questionamentos, esclarecer temas importantes ou verificar quais os pontos negativos e positivos em relação ao procedimento com a Magnum. É uma autocensura inexplicável, especialmente nesta época de valorização da democracia em todos os setores da sociedade. Fechar os olhos não ajuda o clube em nada. Em determinadas ocasiões da história, só atrapalhou.

Já a falta de criatividade é um mal que acomete os dirigentes do Guarani. No mínimo, desde 1999. Ou seja, não é um pecado apenas desta administração. Pegue o setor empresarial e veja a história de empresas em situação dramática na parte financeira e posteriormente conseguiram se reerguer. Venda de patrimônio pura e simplesmente não é a única medida aplicada para revigorar uma marca combalida. Adoção de métodos para arregimentar receitas, corte de gastos, redirecionamento da marca, mudança de postura sobre a questão tributária são requisitos que podem ajudar.

Mais: se o Guarani é uma comunidade e seus dirigentes são oriundos desse contingente porque o engajamento não é ainda mais enfático. Exemplo? Lógico que devemos dar o devido desconto pelo fato do Guarani ter atuado a maior parte da Série C longe do Brinco de Ouro, mas será que mesmo assim não daria para apurar uma média de público maior do que os 1607 torcedores de média registrados? Pior: nas duas vezes em que jogou no Brinco de Ouro, o Guarani teve 3272 pagantes contra o Caxias e posteriormente 3133 na derrota para o São Caetano. Muito pouco para quem tem um potencial de, no mínimo, de 300 mil a 400 mil torcedores.

Percebam: existe um potencial de renda ainda a ser explorado pelo Guarani. Rendas bloqueadas? É verdade, mas é preciso insistir no trabalho jurídico para viabilizar uma reviravolta. Vasco e Botafogo costumeiramente são envolvidos com medidas de bloqueio de rendas e viabilizam sua liberação. Pergunta: por que apenas os times cariocas gozam de tamanho privilégio? O Guarani não pode almejar tal quadro?

E o crescimento de arrecadação do programa de Sócio Torcedor? É normal o Guarani contar com 2569 sócios enquanto o Grêmio Osasco conta com 10118? Não, não é normal. Em resumo: o Guarani não precisa de heróis ou de proprietários. O Guarani precisa de ações, quadros políticos e administração moderna e mobilização da torcida. Com essa receita, os resultados podem demorar? Sim, é um risco. Mas o crescimento será em bases mais sólidas.

1 COMMENT

  1. Elias. Nós estamos falando de um GFC refém deste mesmo “grupo”, que iniciaram com as dividas e a derrocada do clube lá no fins dos anos 90. nos últimos 15 anos, Ninguém nunca quis trabalhar com futebol lá no queijo, apenas com corretagem de imóvel. E, infelizmente, conseguiram seu intento.
    Nos subtraíram a única alternativa que havia, fora a anterior de trabalho sério e choque de gestão, que convenhamos, nunca tiveram afinidade.
    Mas eles conseguiram!
    Será que não é possível investigar os demais interessados no leilão??Nos anteriores nunca houveram interessados e agora, inexplicavelmente aparecem dois. Quem são eles? Será que não dá pra investigar este vereador do PP de Jaboticabal e o tal de cheique, sultão, alibaba, que seja o miserável que for?…. Será que não dá pra investigar se eles não estavam em conluio? Ligados ao “relojoeiro” com cara de hippie?
    Ver meu Bugre nas mãos de tanta gente mal intencionada, faz mal para o figado. Triste a situação, mas agora veremos quem são os ratos, agora que estamos sem o patrimonio…. Chega de corretores, precisamos de gestores que conheçam de futebol e justamente agora que a Fifa pretende mudar s regras da lei do passe mundialmente. isso talvez seria bom para o Bugre, mas nao com estes cretinos ai….

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