O Globo não fez caridade para Dilma Roussef. Quer apenas a volta do capitalismo ao Brasil…

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Não foram poucos os comentários perplexos a respeito do editorial do Jornal O Globo cujo mote era pedir governabilidade ao governo de Dilma Roussef. O texto contém broncas públicas no presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha e até nos políticos do PSDB. O que mudou? A Rede Globo passou a compreender Dilma? Vai estender a mão? Nada disso.

Não é preciso ser conhecedor profundo de economia para entender o básico: imprensa é um negócio como outro qualquer. Precisa dar lucro e dividendos aos seus acionistas. Quem utiliza como instrumento político não quer também colher prejuízo de modo infinito. Queiramos ou não, estamos em um sistema capitalista em que muitas vezes as cifras passam na frente de qualquer ideologia.

O cenário está colocado. Nunca a imprensa brasileira passou por enxugamento tão drástico nas redações. Nunca a estrutura foi tão enxuta. Basta dizer que o portal Terra demitiu 80% dos seus jornalistas e ficou com 10. Os jornais impressos, por sua vez, sofrem com a alta do preço do papel – que é atrelado ao dólar- e dificuldades para bancar o esquema de distribuição, entre outros pontos. As organizações Globo não fogem do cenário. Certamente o lucro não está no nível desejado, o fluxo de caixa não é mais o mesmo e o ambiente de negócios para captar mais e mais anunciantes não é adequado. Por que? Simples: os anunciantes paralisaram seus investimentos, a economia está estagnada a espera de uma solução para uma crise política infinita.

É diferente de crises anteriores. Queda do PIB, aumento do desemprego e de outros indicadores em anos anteriores eram acompanhados sempre de uma postura, na pior das hipóteses, cautelosa do empresariado e das empresas de comunicação. Existia retração de investimento no presente mas acompanhado de esperança de dias melhores.

Relembre 2002. O último ano de mandato de FHC teve números tenebrosos – inflação de 12,53% e desemprego em 12% – mas planejavam investimentos e vislumbravam dias melhores com a chegada do novo ocupante do Palácio do Planalto, fosse Lula ou Serra.

Hoje não. O ódio ao PT é acoplado por uma total desesperança na oposição. Muitos querem a saída de Dilma mas não confiam em Aécio Neves, responsável por desempenho preocupante como governador de Minas e tampouco em José Serra ou Geraldo Alckmin, que apesar de terem sido candidatos presidenciais ainda são políticos de alcance regional. Lula? Por enquanto parece desinteressado. Pode mudar? Pode. Mas por enquanto não há perspectiva de entrada em um governo Dilma e até sua candidatura não pode ser considerada favas contadas. Fica a pergunta: com tamanha incerteza quem fica incentivado a investir? Quem toma coragem e anuncia seja em veículos de comunicação ou em programas de marketing? Existem empreendedores? Sim. Mas eles seriam em número muito maior se o ambiente econômico e político fosse confiável.

O editorial do jornal O Globo é aa tradução de algo simples: a família Marinho não confia em Dilma, Lula e PT mas na atual conjuntura é preferível contar com um governo moribundo, mas que permita o funcionamento minimo da economia e exibe sinais tímidos de retomada do que apostar em políticos narcisistas e moralistas sem plano concreto para revitalizar a economia brasileira.

As Organizações Globo não fizeram caridade por intermédio do editorial. Querem apenas um ar mais respirável para ganhar dinheiro e expandir seus negócios como qualquer empresa do ramo capitalista. Até 2018, a família Marinho terá tempo suficiente para encontrar e apoiar um candidato capaz de representar seus anseios. De algo tenho certeza: não será ninguém do PT ou de qualquer partido do campo progressista. Quem viver verá.

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