O Futebol Americano nunca será Brasileiro

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Quero deixar claro: gosto de futebol americano.Considero um esporte interessante, especialmente porque enfatiza a estratégia juntamente com dois atributos que parecem divorciados: a força física e a velocidade. Nenhuma equipe triunfa sem seus essas características.

Conheço pessoas renomadas e competentes que gostam de futebol americano, como meus amigos Bruno Nunes e Rafael Belatini.

Faço todo esse preambulo para falar sobre a vitória do New York Giants sobre o New England Patriots pelo placar de 21 a 17 no Superbowl. Não vou ser louco de negar os números grandiosos que envolvem o espetáculo e como a Liga nacional local, a NFL, tem competência para ganhar muito dinheiro e valorizar todos os clubes. Ponto.

Porém, penso que está em voga um exagero na crônica esportiva brasileira. Uma supervalorização do esporte, dos seus jogadores e mesmo que inconscientemente uma luta para incutir os costumes dos Estados Unidos no Brasil. Detalhe: não falo aqui de gente que compra camisa ou artigos relativos ao esporte. Eu mesmo já tive uma e só não uso mais porque foi rasgada.

O que me incomoda é essa mania de querer incutir manias, costumes e comportamentos do torcedor nortem-americano aqui no Brasil. Ou de querer achar que o futebol americano tem algo a ensinar ao Brasileiro. Um procedimento adotado pela ESPN Brasil, que transmitiu as finais do Superbowl. Digo com pesar porque acompanho e gosto da emissora.

O único conceito que deveria ser assimilado é que uma liga esportiva forte é quando todos ganham dinheiro e não apenas um grupo privilegiado. Agora, a maneira como o torcedor norte-americano encara o esporte e como se vive o cotidiano desse esporte não tem absolutamente nada a ver com isso. Nos Estados Unidos, os times de futebol americano são franquias e visam o lucro. Tanto que a primeira pessoa que recebeu o troféu do Superbowl não foi um jogador ou mesmo o treinador, e sim o responsável pela Franquia. Sinal de que o sentimento muito vezes fica em segundo plano.

No Brasil, é totalmente diferente. Os clubes de futebol são instituições centenárias e criadas a partir do desejo de um grupo de pessoas. Que desejam vencer o rival mais próximo e não faturar milhões. Lógico, os dirigentes gatunos atrapalham e falta de transparência é um dos grandes males do futebol brasileiro. Mas não será fazendo um transplante da NFL na CBF que todos nossos problemas estarão resolvidos.

O Brasil pode e deve achar a solução dos seus problemas administrativos e esportivos por suas próprias pernas. Criar sua própria identidade e esquecer se alguns consideram que a Europa ou os EUA é modelo. Se o Brasil quer andar com as próprias pernas e ser um participante ativo no jogo mundial, deve também resolver seus problemas e valorizar as suas características. Sem copiar modelo pronto de ninguém.

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