“O Drible”: a literatura faz um golaço no futebol!

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Celebrado como a principal novidade literária na ficção em 2013, o livro “O Drible” do escritor e jornalista Sérgio Rodrigues cumpre com folga suas propostas. Tem uma história empolgante, prende o leitor até a última página e aborda o futebol de modo honesto, com suas virtudes, vícios, com seus heróis e vilões.

A história é construída em torno do cronista esportivo Murilo Filho, prestes a morrer e que deseja fazer um “acerto de contas” com seu filho, Murilo Neto, revisor de livros que leva uma vida frustrada e com escassas aventuras amorosas.

Nesse contexto, o futebol serve de elo para dois mundos: o do passado glorioso de Murilo Filho, repórter e cronista do Jornal dos Sports e também do Jornal do Brasil e de seu presente em que resta apenas esperar a morte em sua chácara juntamente com um casal designados como caseiros da residência. O futebol é o selo para relembrar de um tempo bom e feliz.

O livro ainda coloca a ficção dentro da ficção, com o relato feito por Murilo Filho de Peralvo, um jogador extremamente talentoso, cujo final de carreira não foi nada feliz.

O leitor, no entanto, toma conhecimento como o futebol, desde os idos dos anos 1970 e 1980 é o palco ideal para condutas escusas e nada lisonjeiras. Um sinal disso é a colaboração de Murilo Filho com o regime militar, suas conexões com o submundo do futebol e a descrição de um ambiente movido apenas por dinheiro e interesse. Mais:  como tudo isso fica em segundo plano diante de um drible, uma jogada cerebral ou uma conquista de titulo inesperada.

Ao final das 218 páginas, o leitor terá a sensação que não teve apenas contato com uma relação conflituosa entre pai e filho, mas como o futebol também é utilizado para atenuar conflitos e transmitir a ilusão de um mundo irreal, mas sedutor para quem está sem perspectiva.

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