Nos clubes, o vôlei brasileiro tem craques, dinheiro, boas partidas e profissionalismo. Falta um ingrediente: paixão!

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Campinas vive um grande momento no vôlei. É sede do Vôlei Amil, comandando por José Roberto Guimarães e no masculino pelo Vôlei Brasil Kirin, sob a coordenação do jovem Alexandre Rivetti, que neste sábado foi eliminado das semifinais da Superliga Masculina de Vôlei ao perder do Sesi por 3 sets a 2. Mesmo assim, o cenário corriqueiro não foi estragado: os ginásios estão lotados, as famílias comparecem, vibram com as vitórias, lamentam as derrotas e ao final das partidas pedem autógrafos aos seus ídolos. É algo legal, positivo, mas falta um ingrediente que transformou o futebol neste esporte fantástico: paixão no relacionamento da quadra para a arquibancada. Existe respeito, carinho, mas paixão está longe de acontecer.

Existem provas para essa tese. Primeiro, pelos clubes serem transitórios, por mais que dirigentes e jogadores digam o contrário. Exemplo: no futebol, em 90% dos casos, independente dos obstáculos e resultados ruins, todos sabemos que Palmeiras, São Paulo e Corinthians sempre estarão na capital paulista e que Criciúma, Ponte Preta, Goiás, Guarani são símbolos de suas cidades. Isso provoca fidelidade e acompanhamento sistemático, porque os torcedores sabem que não serão abandonados.

No Vôlei, tudo tem prazo de validade. O Brasil Kirin tem contrato de quatro anos. O Vôlei Amil também. Um dia o contrato acaba, o patrocinador desembarca e a torcida ficará a ver navios, sem qualquer justificativa.

Os atletas muitas vezes passam a impressão que fazem parte de uma comunidade á parte, sem se importar com aquilo que está ao seu redor. Neste sábado, ao ser inquirida sobre para quem iria torcer na semifinal entre Sesi e Vôlei Brasil Kirin, a jogadora Tandara, do Vôlei Amil, de Campinas, disse que preferia não responder. Nem precisa pensar muito para chegar a conclusão de que torcia para o Sesi, clube que defendeu anteriormente. Ou seja, pouco pensou que boa parte daquelas pessoas no ginásio também certamente estará presente para torcer por ela na terça-feira na semifinal entre Amil e Rio de Janeiro. Tal descuido no futebol seria imperdoável.

A declaração de Tandara transmite a impressão de que jogadores e jogadores de vôlei pensam muito mais em seus amigos e no mundo fechado do esporte em detrimento das pessoas que acompanham o esporte. Passa a impressão de que o torcedor é apenas um adendo, algo que deve ser suportado para pagar as contas do dia a dia.

Quando merecidamente faturam medalhas e títulos mundiais as jogadoras reclamam que por vezes recebem a desconfiança de imprensa e torcedores. Cá entre nós: o mundinho fechado do vôlei colabora e muito para tal situação.

1 COMMENT

  1. Essa questão do patrocínio master é bem complicada. Você pontuou muito bem – tem prazo de validade. Não há garantias se, ao término do contrato, o planejamento, a estrutura e o time serão os mesmos. Se a qualidade será a mesma. A declaração da jogadora Tandara exemplifica também o receio em declarar apoio à uma outra empresa, mesmo não sendo concorrentes. Parece que o esporte é algo secundário em relação aos negócios, afinal, “nunca se sabe o dia de amanhã”.
    Análise muito boa, como sempre, Elias. Parabéns! Um abraço.

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