Neymar, Fred, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Nazário: Cadê a cidadania?

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Acompanho futebol há 33 anos e o primeiro time fantástico guardado na memória é da Seleção Brasileira de 1982. Derrotada na Espanha pela Itália, desembarcou ovacionada no Brasil. Alguns jogadores até hoje recebem o carinho dos torcedores. Além da habilidade, uma boa parte tinha algo em falta entre os boleiros de hoje: personalidade e engajamento.

Sócrates foi um dos principais participantes nas eleições diretas; Junior e Falcão também eram atletas que nunca fugiam da raia para falar sobre os problemas e mazelas do nosso pais. Tempos depois, jogadores como Branco, Romário, Jorginho, Bebeto e Gilmar Rinaldi sempre tinham algo a dizer em suas entrevistas. Inclusive sobre o quadro vivido naquele brasil inflacionário.

Duro constatar que tudo mudou. Os jogadores atuais pouco sabem sobre cidadania. Neymar ganha as manchetes com justiça por causa de seu futebol eficiente e talentoso. No entanto, mesmo as ações de cidadania mais comuns são adotadas como parte de um teatro previamente ensaiado.

Mesmo caso de Ronaldinho Gaúcho. Aos 33 anos, é o principal jogador do Atlético Mineiro. Tem lampejos maravilhosos. Fora do campo, como já abordado neste blog, suas entrevistas são de um vazio constrangedor.
Neymar, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Nazário, em todas suas aparições, parecem que são forçados a cumprir um ritual, mesmo quando auxilia entidades beneficentes. . Não existe uma declaração contundente contra ou a favor do governo Dilma, sobre a onda de violência em São Paulo, dos atentados em Santa Catarina ou mesmo a espiral inflacionária vivida em nosso dia a dia. Nada disso. Neymar ganha holofotes por aparecer com namoradas ou expulsões bobas, Ronaldinho Gaúcho abala seus vizinhos com suas baladas e Fred por ser mais um Don Juan. Tudo isso feito por pessoas que deveriam ser exemplos para crianças e adolescentes. O Brasil? Ah, que pegue fogo…

Infelizmente, eles e até alguns torcedores e integrantes da crônica esportiva não percebem que a vida no Brasil vai muito além do futebol. Que o atleta profissional não está isento de sentar em seus rendimentos, desfrutar de uma vida nababesca e ignorar o que passa ao seu redor.

A prática de cidadania não é como um jogo de futebol, ou seja, não dura apenas 90 minutos. Dura a vida inteira. Com essa atitude alienada, tais astros não fazem um gol contra o futebol e sim contra o Brasil. Se estivesse, Sócrates, o ícone do craque cidadão, faria 59 anos. Pelo quadro descrito, dá para perceber a falta que ele faz.

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