Minha visão sobre o dízimo nas Igrejas Evangélicas

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Quando sou inquirido nas ruas ou por amigos sobre minha condição de protestante, o assunto que sempre vem a tona é a questão do dizimo e a da oferta nas Igrejas Evangélicas. Muitos ficam inconformados pela atitude de separar 10% do salário ou até mais do que isso para sustentar a obra de Deus. E a indignação toma proporções gigantes ao verificar o salário recebido por alguns pastores, do mesmo patamar do principais executivos brasileiros. Sim, não há como negar: é chocante assistir milhares de senhoras tirar o pão da própria boca para sustentar mordomias nababescas.

Agora, seria muito fácil vir aqui e detonar a prática. Mas é preciso dar luz ao tema. Em primeiro lugar, qualquer frequentador de conhecimento médio de igreja sabe que o dizimo é bíblico e sua presença ocorre tanto no Novo como no Velho Testamento. “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança”. Pronto. Este é o texto de Malaquias 3:10. Mais claro, impossível.

A obtenção de recursos é vital, essencial para a sobrevivência de qualquer igreja, seja católica ou evangélica. Faço essa preâmbulo para tocar na ferida: o problema não é o dizimo ou a prática da oferta, até porque Deus jamais cria problemas para nós por maldade ou sadismo. A questão é sim a falta de transparência sobre o destino dos recursos em boa parte das igrejas brasileiras.

Igrejas, antes de mais nada, são instituições de caráter público, formada por pessoas das mais diversas camadas sociais. Eu duvido que existiria dúvida sobre a utilização do dinheiro se alguns preceitos básicos de fiscalização fossem utilizados.

Em primeiro lugar, a igreja teria a obrigação de estipular o orçamento do ano seguinte. No inicio do ano, o tesoureiro deveria ter a obrigação de traçar o orçamento, prever a arrecadação e estipular de maneira clara com os membros da igreja o destino de cada centavo arrecadado. Detalhe: inclusive com a definição dos salários a serem pagos aos pastores. Os valores deveriam encontrar-se acessíveis a qualquer membro da igreja, por internet e por senha. Exemplo prático: se a decisão for a de reajustar o salário do pastor ou de ampliar a igreja, esta decisão seria adotada a partir da aprovação da maioria dos membros da igreja. Ah, mas a igreja tem 4 mil, 5 mil membros? Pouco importa. Hoje, a internet exibe mecanismos de votação on line por senha que garantem a lisura de qualquer processo de escolha ou decisão. O resultado, aliás, sai de modo imediato.

Posteriormente, com uma periodicidade definida, os gastos seriam divulgados mensalmente por intermédio de um balancete financeiro a ser divulgado em boletim, internet e no mural da igreja. A montagem do documento poderia ser feita da seguinte forma: em igrejas até mil membros, a diretoria local poderia dar conta do recado; a partir dessa quantia, uma auditoria independente poderia ser contratada para fazer o acompanhamento ou prestar consultoria.

Hoje em dia, dizer que possíveis desvios de gastos nas igrejas a punição é da alçada de Deus é uma medida cômoda e preguiçosa. Devemos fazer nossa parte e além de cumprir o preceito bíblico, forçar a aplicação da transparência para que um mandamento de Deus não vire instrumento de enriquecimento ilícito. Simples assim. Ou não?

 

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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  1. Hoje a doutrina de dízimos é defendida pela maioria das igrejas, seja voluntário ou obrigatório. Mas, os dízimos eclesiásticos foram inventados pela igreja católica, e não foi usado só para obra da igreja. Guerras e a inquisição foram patrocinados pelos dízimos. Os dízimos católicos imitavam os do Antigo Testamento; cobravam dos produtores agropecuários, com alguns abusos. Um estudo bem detalhado com textos em português e espanhol sobre o assunto está disponível no site Slide share: Entrevista sobre o pagamento de dízimos no Antigo Testamento, na igreja católica, e nas igrejas evangélicas. Acesse e conheça um estudo que trata desta parte dos dízimos desconhecida da maioria de católicos e evangélicos e as pessoas em geral. Autores de livros sobre o assunto desconhecem ou omitiram os dízimos católicos cobrados dos agropecuarista durante mais de mil anos que teve inicio no século IV como voluntários para ajudar a renda da igreja, ganhou impulso nos séculos seguintes até se tornar obrigatório no VIII e força total inicio do XII, quando começaram as cruzadas que foram patrocinadas pelos dízimos. Essas e outras revelações sobre os dízimos você encontrará nesse estudo. Confira com atenção os texto históricos e veremos que o mundo tem memória custa,mas fatos históricos podem nos ajudar a chegar ao conhecimento da verdade.

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