Mário Gobbi tem razão: a crônica esportiva precisa melhorar!

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Em duas entrevistas concedidas em um curto espaço de tempo a ESPN Brasil, o presidente do Corinthians, Mário Gobbi, disparou contra o nivel da imprensa brasileira, que considera muito baixo por cobrar apenas dos clubes de futebol quando o assunto é violência ou a postura da torcida organizada. Segundo ele, a cobrança não é feita em direção ao judiciário ou outros atores envolvidos.

O cartola está parcialmente correto. Sim, a imprensa esportiva não está em nivel satisfatório. Este pobre escritor e cronista esportivo se inclue na esparrela. Mas o nivel é deficitário não por cauusa dos motivos enumerados pelo dirigente.

A imprensa esportiva no Brasil deixa a desejar porque muitos profissionais estão desconectados da realidade das arquibancadas. O que falarei agora não é chute ou critica infundada e sim a pura realidade. Muitos repórteres e editores falam de esporte sem nunca terem pisado em um estádio de futebol. Muitos disparam contra a qualidade dos jogadores sem nunca terem tomado chuva na arquibancada ou sofrido para comprar um mísero ingresso. O que é pior: nunca disputaram uma pelada na rua ou mesmo correram atrás de uma bola na quadra do condominio ou da associação de bairro em que residem. Desse jeito, fica muito mais fácil pedir a elitização total e irrestrita do futebol. Por um motivo: nunca viveram o outro lado da moeda.

A imprensa esportiva deixa a desejar porque muitos ainda não se tocaram de que o futebol transformou-se em um negócio complexo, gigantesco e cheio de emanharados em suas estruturas. Conhecer o jogo do gramado atualmente é insuficiente para entender o que acontece no dia a dia dos clubes. Direito, economia, administração, marketing, fisiologia, medicina…São tantas áreas de conhecimento que envolvem o futebol que uma simples matéria seja na internet, rádio, televisão e jornal é insuficiente para traçar um panorama correto. Sim, é quase impossivel pedir que o cronista esportivo tenha formação acadêmica de todas essas áreas. Mas é obrigação perguntar, discutir, pesquisar, ouvir e principalmente aprender para transmitir a notícia mais confiável possível. É mais complexo do que o modelo consagrado de treino-jogo-declaração de cartola? Sim, é dificil. Mas não há como fugir.

Ainda existe tempo de recuperação? Sim, existe. Mas o passo inicial é a crônica esportiva brasileira calçar as sandálias da humildade e entender que ainda tem muito a aprender. Está disposta? O futuro dirá.

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