Marina Silva e a perspectiva dos evangélicos no poder federal. O que ganha o Brasil?

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Eu pensei, pensei, pensei e decidi escrever. Como todos sabem, a tendência é que Marina Silva seja ungida candidata a Presidência da República. E não vou ficar surpreso com sua vitória gerada a partir de um misto de insatisfação da classe média com o PT e emoção e flor da pele. Não brinco. Falo sério: a hipótese dela virar presidente é concreta e real! Muito real.

Estou preparado para ver e ouvir o discurso de pastores evangélicos e frequentadores afirmarem que a vitória é um designo de Deus, de que tudo vai mudar, Ela é de Deus, acabou a corrupção, tudo vai melhorar etc, etc, etc…

Os púlpitos de muitas igrejas espalhadas pelo país se transformarão em um salão de festas. Em Campinas, então, nem se fala. Quem conhece a cidade sabe de quais igrejas falo e quais repudiam e discriminam petistas e pessoas progressistas.

Muitos pastores vão passar dias dizendo: Conseguimos! Conseguimos! O PT está expulso do poder! Dane- se se existirem eleitores do PT no banco da igreja. Dane-se.

Mas é bom lembrar. Com Marina Silva na presidência, adeus luta contra violência aos homossexuais, adeus tratar o aborto como política de saúde pública, adeus a luta pelas minorias, adeus tolerância religiosa, adeus incentivo a pesquisa com celulas tronco, adeus defesa de uma sociedade em que todos sejam respeitados.

Que ninguém tenha dúvida: sairá o balaio de gatos em que o PT e o PMDB dão as cartas e entra um sistema Teocrático. Sai de cena Michel Temer, Renan Calheiros, José Sarney e entrará em campo Silas Malafaia, Jabes Alencar, Jorge Linhares e líderes evangélicos que tentarão de todas as formas impor a sua pauta ao governo federal bem no estilo Ravengar da novela “Que Rei sou eu?”. Idade Média? Sim, com certeza. Você pode alegar: ah, mas o Edir Macedo apoia a Dilma. Verdade. Mas ele apoia a atual presidente para não perder o seu poder interno e expandir a sua igreja. Já os citados acima não se contentam em influenciar o seu rebanho. Querem dominar e decretar suas ideias ao Brasil.

O que é pior: a critica será proibida. Afinal, crente não critica crente, por mais errado que ele seja. Tenho uma pessoa querida que não tem se agradado com o governo de Jonas Donizete. Mas ela diz que não se sente a vontade em criticá-lo em público porque ele é do “Senhor”. Respeito a posição dela e não condeno, porque é fruto de um sistema enraizado por anos e anos.

Quem foi criado em Igreja Evangélica sabe que o pensamento transmitido desde criança é que estamos acima do bem e do mal e de qualquer erro, qualquer equívoco. Somos perfeitos em relação as pessoas que professam outra religião. Lembra dos Vingadores? A diferença para alguns evangélicos é que os personagens das histórias em quadrinhos não andam com uma bíblia debaixo do braço.

Então, quando um Cristão Evangélico se transforma em pessoa pública ele não pode ser submetido a sabatina realizada em cima de outros. É questão de honra defender até o fim.

Os pastores então são reverenciados como semi-deuses, gente que simplesmente não erra.

Talvez esse seja o perigo de eleger Marina Silva. Ela é honesta? Sim! Tem uma história de vida legal? Com certeza! Tem uma trajetória comprometida com os mais pobres? Não há dúvida! Meu único e principal temor é que a mosquinha do poder juntamente com esse espirito Evangélico egoístico gere uma mandatária fora da realidade e achando que qualquer erro seu será consertado por um passe de mágica, apenas com a abertura e leitura de um trecho bíblico.

A vída e o exercício do poder é muito mais sério do que isso. Tomara que tenha consciência disso. Senão, estaremos fritos.

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