Lula e Dilma não aprenderam nada com Vargas. Pelo menos no contraponto aos meios de comunicação

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As forças progressistas reclamam que a imprensa é golpista, tendenciosa, etc, etc…Não vou esticar porque é algo público e notório. Discussão que avançaria dias e horas.

Fato é que os partidos progressistas não fizeram a lição de casa. Querer atrair leitores em massa com blogs progressistas, publicações vinculadas a sindicatos e movimentos sociais é muito legal e positivo.

Só que não atrai o alvo principal, que é o leitor/telespectador/ouvinte que consome os meios tradicionais de comunicação. Pior: a lição estava disponível em qualquer livro de história e ninguém colocou em prática.

Na década de 1950, Getúlio Vargas era diuturnamente atacado e criticado pelo jornal O Globo, Correio da Manhã, Rádio Globo e cadeia de jornais dos Diários Associados. A justificativa era de que o governo trabalhista era um mar de lama. De corrupção. Alguma coincidência?

O presidente não procurou movimentos e jornais alternativos para defender o seu governo. Vargas na cara dura financiou o jornalista Samuel Wainer e este criou a rede de jornais “Ùltima Hora”, com edições em São Paulo, Rio de Janeiro e no nordeste.

Uma publicação de pegada popular, com noticiário político alinhado com o governo e notícias do mundo do trabalho, algo quase que inexistente. Com esse palanque, Vargas conseguia colocar a sua versão dos fatos. Errado? Sim. Mas o cerco dos meios de comunicação era tamanho que o então presidente não teve outra alternativa.

Mais: deu protagonismo ao noticiário de polícia e de Esportes. Resultado: em pouco tempo virou um case de sucesso e chegou a vender 700 mil exemplares diários. Arrebatador. Sucesso comprovado pelos pedidos de CPI contra Samuel Wainer, que não seria brasileiro de nascimento. Estrangeiros não podem ser proprietários de meios de comunicação.

Os contratempos não impediram o sucesso inquestionável. Por que? Lógico, ser atrelado ao governo era e é deplorável. Afinal de contas jornalismo bem feito é de oposição.

Mas o jornal “Ultima Hora” tinha um mérito: dialogou com as pessoas que consumiam o noticiário tradicional especialmente por intermédio do noticiário esportivo, local e de polícia. Em 1954, Wainer e Vargas entendiam algo que atuais componentes da esquerda custam a entender: a vida não é só política.

Não adianta viabilizar produtos jornalisticos de esquerda incapazes de dar uma única dica de cinema, uma sugestão de peça de teatro ou o resultado do futebol no final de semana. Compare os portais de internet dos grupos de comunicação e os portais de esquerda e entenderá daquilo que falo.

Hoje, mais de 62 anos depois as forças de esquerdas e suas lideranças (inclusive Lula e Dilma) não conseguiram ver minimamente que democratização dos meios de comunicação também passava por uma mea culpa das próprias forças progressistas em discutir comunicação sob um aspecto mais amplo.

Em 1954, Getúlio quebrou a espinha dos donos dos meios de comunicação. Ofereceu uma carne mais suculenta e temperada para quem queria se esbaldar em um rodízio.

De 2003 a 2016, as forças de esquerda acreditaram que um clássico carnívoro passaria a ser um fanático vegetariano. Mesmo ele dizendo que quer continuar a consumir carne. Insistiram. Quebraram a cara. 

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