Jornalismo esportivo, o grande derrotado da Copa do Mundo

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Não há como ignorar o sucesso da Copa do Mundo. Eletrizante, equilibrado, bem disputado e cheio de talentos, o campeonato já entrou para a história. É o melhor desde 1982. Mas se celebramos a vitória do futebol bem jogado, em contrapartida temos um derrotado: o jornalismo esportivo. Quando me refiro a tal seara eu digo o jornalismo critico, independente e feito no dia a dia por gente que acompanha os clubes e que deveria receber o devido reconhecimento na hora do filé mignon.

Nada disso. Comece pela função de repórter. É nobre e necessita de sensibilidade para exercê-la. Temos 700 jornalistas credenciados para cobrir a Seleção Brasileira. Nunca foram tão cerceados. As coletivas são protocolares com declarações banais, mesmo quando os repórteres fazem perguntas incisivas. Como bem atestou a repórter Eliane Brum, na Folha de São Paulo desta quarta-feira, a zona mista nada mais é do que uma “zona controlada”. Ao ouvir qualquer pergunta crítica (e necessária) os jogadores se retiram da conversa. Como comparação basta dizer que em 1986, o jornal da Tarde ganhou um prêmio Esso ao abordar e retratar os bastidores do elenco que perdeu no México para a França. Quatro anos depois, em 1990, as mazelas do time treinado por Sebastião Lazaroni só ficou conhecida devido ao trabalho de repórteres como Flávio Prado, que já na Jovem Pan, nunca deixou de abordar a discussão e a cizânia gerada a partir da discussão de prêmios. Repare: nesses dois exemplos, quem fez o serviço eram repórteres. De ofício. E que não encontraram obstáculo. Hoje, apesar da profusão de bons profissionais presente na Granja Comary, a ditadura é imposta. Não há o que fazer.

Não é o quadro mais grave. Após os jogos, dê uma passeada pelos canais de televisão aberta ou fechada e confira a cobertura dos programas pós-jogo. A Band, em um solene sinal de desprestigio aos jornalistas colocou comentários dos jogos apenas e tão somente na mão de ex-jogadores, procedimento adotado pela Rede Globo. Como justificativa, eles dizem nos bastidores que esses jogadores dão audiência. Na Fox, os jogos da Seleção Brasileira estão com Mário Sérgio e Wanderley Luxemburgo. Participação de jornalistas? Somente como acessório ou quando não tem saída.

O quadro só é amenizado por Sportv e ESPN Brasil. Eles colocam ex-jogadores para comentar? Sim. Mas em respeito aos seus próprios funcionários, sempre existe um comentarista da casa para analisar e verificar os lances. As duas emissoras dão a chance ao telespectador de confrontar e analisar as duas visões. Outra nobre exceção são as emissoras de rádio, que não inventaram a roda. Escalaram seus profissionais para acompanhar e comentar. Sorte do ouvinte espalhado no Brasil que pode ouvir profissionais da categoria de Washington Rodrigues, Flávio Prado, Claudio Carsughi, Bruno Prado, Mário Marra, entre outros…

Quando podemos ter esperança no jornalismo esportivo quando todos celebram uma mesa redonda cuja frase mais contundente dita até o momento é que a religão nordeste é uma “bosta”, uma declaração escancarada de vira latismo? No jornalismo esportivo de hoje, a moda não é entender de futebol e sim desconhecer a modalidade. Seria o mesmo que pegar um profissional da moda para comentar economia. Será que daria certo? Eu duvido.

A Copa do Mundo vai acabar no dia 13 de julho e dois dias depois os profissionais de imprensa do Brasil serão defrontados com a realidade dos campeonatos nacionais. Junto, a sensação de que participaram de uma festa em que não puderam sequer comer um canapé e sim trabalhar como garçom.

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