Jogadores dão aula de cidadania na Espanha e Itália. No Brasil…

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O futebol europeu começa a afiar suas garras para novos lances de emoção. Os campeonatos da Espanha, Itália, Inglaterra, Portugal e França atraem adeptos e fanáticos no Brasil. Garotos, aliás, já colocam alguns clubes do velho continente acima da paixão nacional. Mas a largada pode ser chamuscada. Claro, a Espanha já resolveu o seu drama, mas o pedido do Sindicato dos Jogadores era claro e cristalino: quitação dos salários atrasados de clubes menores que não possuem o poderio de Barcelona e Real Madrid.

Na Itália, o sindicato dos atletas também entrou em campo para pedir o pagamento de menos imposto e fugir dos impostos cobrados por Silvio Berlusconi.

O que chama atenção é o envolvimento dos jogadores nos dois episódios. Ninguém quer saber se existe uma meia dúzia que ganha milhões de euros e está com a independência financeira garantida, mesmo com o pagamento de tributos. Existe um sentimento de classe, uma busca de unidade para viabilizar que existam condições de trabalho mínimas.

Pegue o mapa agora e mire-se no Brasil. Salários atrasados virou norma em alguns clubes da divisão de elite e em boa parte da Série B e na quase totalidade da terceira e da quarta divisão. Gente que necessita de recursos para quitar contas do dia a dia. Uma situação gerada por dirigentes perdulários, que ligam apenas para os holofotes. Diante desse quadro o que se vê é um individualismo absurdo de ambos os lados. Os clubes não possuem sentido de classe e até hoje não estabeleceram um código de ética para estabelecer, no mínimo, um teto salarial para contemplar clubes populares como o Flamengo e Corinthians e grandes com jeitão de time médio – no quesito financeiro – como Botafogo e Vasco da Gama. O que temos? Salários exorbitantes e o débito cada dia mais robusto.

Jogadores possuem culpa no cartório. Não se tem noticia até hoje de uma greve ou manifestação de grande repercussão para lutar por quesitos em comum. O companheiro sem salário não comove o grande astro. Só quando é do mesmo time, porque ele precisa da “peça” para correr por ele. Resultado: as condições de trabalho são cada vez piores na maior parte dos clubes do Brasil. Penso que a transferência à europa não deveria servir apenas para encher os bolsos e sim, para adquirir alguns noções de cidadania. Caracteristicas que sobram na Itália e Espanha.

 

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