Em um mundo marcado pela velocidade da informação, qualquer revelação de cunho pessoal ganha proporção inimaginável. Ao declarar sua homossexualidade e seu romance com uma jornalista, a cantora Daniela Mercury, mesmo que involuntariamente, colocou na berlinda a cantora Joelma, da banda Calipso, que declarou sua resistência aos homossexuais e inclusive já declarou que esperava que um garoto pudesse sair dessa “vida” para ter uma trajetória feliz. Nem preciso dizer o motivo: em diversas ocasiões, Joelma declarou ser evangélica, o que automaticamente vai lhe gerar criticas contundentes após o episódio.

Agora, algo vem a minha mente: por que fatos tão banais adquirem tamanha proporção? Sim, porque a escolha sexual de cada é algo referente a si mesmo. Ninguém tem o direito de decidir pelo comportamento do outro. Por mais que eu considere aquele comportamento inadequado.

Joelma não é vilã, é vitima de nosso tempo. Sim, ela não é culpada de aprender desde a infância ou adolescência em qualquer igreja Cristã (inclusive a católica), que a decisão individual é apenas o plano da Salvação ou a forma de ganhar dinheiro e ser próspero. Ou seja, a Teologia da Prosperidade.

Antes que algum desavisado apareça, aviso: eu lógico que considero a salvação do homem como valor individual. E assim deve ser. No entanto, todas as outras decisões pessoais também não devem e não podem ser compartilhadas. Se alguém decide ser homossexual, é algo inerente a ela mesma. Não cabe contestar, apontar o dedo ou assumirmos o papel de Deus. Ele saberá julgar no tempo correto todas as nossas atitudes e decisões. Você deve pensar: ah, mas esse tipo é inadequado em uma igreja. Ok, mas então me diga: porque aqueles que cometem outros pecados são aceitos e absorvidos, mesmo quando seu comportamento errôneo é conhecido? Dois pesos e duas medidas.

Talvez a questão da homossexualidade tenha recebido tamanha proporção por um aspecto apenas: o Brasil vive uma onda conservadora, gente que ao perceber que não consegue impor seus pensamentos na via política – sim, porque apesar de todos os seus problemas, equívocos e erros, o PT ainda não pode ser chamado de um partido de direita -, começam a querer impor suas doutrinas no cotidiano. E não vamos nos iludir: existem muitos evangélicos afinados com o espectro conservador e católicos que percorrem o mesmo caminho. E tome censura contra lei do aborto, homossexualidade, consumo de bebida alcoolica, etc, etc,. Joelma, no fundo, é a voz doce e suave de uma ideologia que não conseguiu impor seus dogmas por intermédio da voz de trovão e de ressentimentos propagadas pelos pastores Marco Feliciano e Silas Malafaia. E que estava pronto a atacar caso um cardeal ultraconservador fosse eleito no Conclave da Igreja Católica.

O contraponto verificado entre Daniela Mercury e Joelma dá um recado claro: se as forças progressistas – até as existentes nas igrejas cristãs – não tomarem as rédeas do debate, o clima ficará pior. É esperar para ver.

 

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