Jô Soares: um gênio com preguiça

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Sou um costumeiro notívago. Gosto de acompanhar os programas noturnos, especialmente os de entrevistas. Quem tem a primazia de assinar uma televisão por assinatura atualmente a possibilidade de acompanhar as edições feitas nos Estados Unidos com Jay Leno e David Lettermann. Quando comparo com Jô Soares, sou obrigado a partilhar da opinião de Danilo Gentili, que considera o programa global como apenas de entrevistas. Para ele, os programas norte-americanos vão além disso e são de entretenimento, especialmente de Jimmy Fallon. Bingo.

Acompanhei a aventura de Jô pela seara das entrevistas desde sua estreia no SBT, em 1988. Podemos dizer sem medo de errar que nos primeiro cinco anos era obrigatório aos formadores de opinião. Era crítico, bem humorado e abria espaço a todas as correntes politicas. No processo de impedimento do ex-presidente Fernando Collor de Mello, os seus 60 minutos eram considerados um termômetro do que ocorreria no futuro. Além disso, tinha quadros, boas sacadas e entrevistados hilários. Um reflexo nítido das imposições vividas na época, como limitações orçamentárias e de cast de entrevistados. Lembro que sua entrevista com Roberto Carlos foi um marco na ocasião.

Ninguém vai negar: com tanto sucesso, sua transferência à Rede Globo seria natural, algo sacramentado em 2000.

No inicio, o pique foi mantido e até 2005, bem ou mal, tinha uma pitada de atualidade,

especialmente na cobertura do mensalão. Essa boa fase ficou no passado. Suas entrevistas ficaram burocráticas e alguns quesitos de qualquer talk show foram excluídos. Para e pense: qual foi a última vez que uma entrevista feita por Jô repercutiu de modo devastador? Vou mais longe: por que os monólogos ficaram raros? Jô Soares continua genial e inteligente. Mas a preguiça entrou em campo. Assim complica.

1 COMMENT

  1. Concordo plenamente, diferentemente do programa do Jay Leno que também é de entrevistas mas tem uma grande pitada de humor, o programa do jô não chama mais minha atenção. parece que é um pouco forçado. poucos são aqueles artistas que tem algo de bom a dizer, se é que vai alguém que me impressione. o jô esta desgastado

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