Igreja evangélica brasileira: desunião é teu sobrenome!

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Aviso: este artigo não é contra líder evangélico A, B ou C. São apenas constatações de fatos. Tristes fatos.

 

Nos últimos dias, parlamentares e líderes evangélicos estão em êxtase devido ao crescimento do segmento na população brasileira. São 42 milhões no total. Gente suficiente para eleger parlamentares, deputados ou até possuir peso na eleição presidencial. Pena, mas tal realidade está longe de acontecer. Por um único motivo: não existe segmento na sociedade mais desunido do que a igreja evangélica brasileira.
Senão vejamos: todos os dias, centenas de igrejas são fundadas no Brasil. Não por uma visão ou desejo de uma parcela de uma comunidade, mas simplesmente decorrente de brigas e desacordos entre líderes. Em algumas oportunidades, com todos sendo culpados. Em outras, a saída é inevitável diante da intransigência do líder longevo. Isso acontece em Campinas, São Paulo, Rio de Janeiro e em todo o lugar do mundo.
Alguns pastores, por outro lado, adotam um comportamento até esquizofrênico: são amorosos e atenciosos com suas ovelhas, mas nos bastidores, com pastores auxiliares e funcionários (é, algumas igrejas viraram empresas) comportam-se como verdadeiros ditadores, estabelecendo regras e determinando a vida ou até a morte moral de algumas pessoas.
No cotidiano vivido nos bancos, a realidade não é muito diferente. Uma cartilha religiosa e moral é colocada goela abaixo: não pode isso, não pode aquilo…Dane-se a personalidade da pessoa, seus sofrimentos e limitações. Ninguém quer convencer pelo exemplo da liderança. A saída é viver uma ditadura branca.
As táticas de imposição chegam ao ponto de casais, em algumas oportunidades, usarem seus filhos como troféus sobre casais sem filhos. Ou demonstrar força e soberba diante de uma conquista material. É um salve-se quem puder. O preceito não é acudir quem está doente e sim usar a sua dita “saúde espiritual” para tripudiar sobre o semelhante. Com dinheiro, melhor ainda.
Nesse cenário, as amizades, como se sabe, resumem-se as duas horas usufruídas no culto de domingo. E se trabalha aos finais de semana? Azar o seu. Aliás, pior: você é pecador porque não arranja um serviço para servir ao Senhor.
Para completar o circulo vicioso, a regra implícita: pastores não aceitam criticas, frequentadores vivem  conto de fadas e quando o encanto é quebrado por uma pessoa, por melhor que seja, a porta da rua é a serventia da casa. Enquanto isso, o amor fica de lado e tome ataque contra homossexuais, portadoras do ideário de esquerda e outras minorias.
Pergunto: como pedir união em um cenário macabro desses? Infelizmente, nós, cristãos evangélicos, não aprendemos que quantidade não tem relação com qualidade. Se Jesus adotasse o preceito atual em seu ministério, tenho certeza que os seus resultados ficariam muito aquém do ideal. Sorte, ele é bem mais inteligente do que nós.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

1 COMMENT

  1. Ótima matéria!
    Que traga luz aqueles que pretendem frequentar tais igrejas, pois se já frequentam a algum tempo, isso torna-se muito mais difícil, pois o fanatismo toma conta da maioria dos fiéis.
    Hoje mesmo, passando o dial FM, peguei a seguinte frase dita por uma fiel: doei meu anel de 15 anos de casados… Veja a que ponto chega um cidadão. Até me lembrou o Revolução de 32, onde pediam-se doações para a Revolução Constitucionalista onde tinha se o seguinte lema: “Ouro Para O Bem De São Paulo”.
    Agora o lema é outro, mais bem parecido: “Ouro Para O Bem De Um Bispo”.

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