Igreja Cristã Evangélica: quem sente o gosto da democracia não quer largar!

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A crise política reinante no Brasil gera incoerência. Alianças fora do rumo. Sem nexo. Exemplo: se quiserem comemorar a queda de Dilma Roussef, o PSDB terá que contar com a ajuda do PMDB, com quem sempre viveu as turras. Se o PT quiser continuar na cadeira do Palácio do Planalto terá que apelar aos partidos de direita. É do jogo.

Em contrapartida, observo que tal incoerência está presente em todos os espectros da sociedade. Gente que é favor do impechment e você não esperava. Personalidades contrárias e que ninguém entende.

Na luta pelo poder, a coerência é derrotada. Pegue esse balaio e transfira para a Igreja Evangélica brasileira. A incoerência tomou conta do contingente que deveria proclamar a Palavra de Deus. Em artigo anterior, abordei a ânsia de alguns grupos de evangélicos de desejarem a guerra, a violência virtual e real. Destruir todo e qualquer partido progressista.

Coloque uma lupa e verá o seguinte: em boa parte dos casos, as igrejas, líderes e fiéis que encampam este discurso não querem a democracia no seu dia a dia. Recusam-se a obedecer as leis que lhe desagradam. Sim, porque obedecer a lei quando é do nosso agrado é fácil.

Geralmente, os partidários do impeachment são igrejas com donos de fato ou por vezes de direito. Pastores com 10, 20, 30 anos de pastorado no mesmo local. Nutrem um controle absoluto sobre as opiniões e visões de seus fiéis . Talvez o único que fuja ao receituário é Edir Macedo, comandante da Igreja Universal e que pediu oração para Dilma Roussef. Um legalista espiritual. Ainda bem.

Em contrapartida, verifique que boa parte da resistência a queda de Dilma Roussef entre os Cristãos Evangélicos são de igrejas com foco em implantar uma gestão democrática. Ou seja, igrejas em que os pastores não são eternizados. Pelo contrário. Tem um mandato fixo de três ou quatro anos e por vezes tem no máximo uma recondução. Veja tal regra na Metodista, Presbiteriana, Batista, entre outras menos cotadas. Nestas instituições, passado o período estipulado são designados para outra denominação. Não finca raízes. Não se perpetua no poder. A orientação que prevalece é da denominação.

Nestas denominações podem existir focos de descontentamento com Dilma Roussef? Claro que sim. Inegável. Mas o púlpito não vira palanque. E dentro do templo a pessoa é irmão em Cristo. Fora dele, é um cidadão com direito a pensamento.

Talvez os Cristãos Evangélicos estejam diante de uma oportunidade histórica e não saibam desfrutar. Momento de posicionar-se pela democracia não como opção e sim como norma de conduta. O Brasil agradeceria. De joelhos.

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