Guarani, uma equipe invisível

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 O dialogo é revelador. Ao conversar na última quarta-feira com o superintendente de futebol do Coritiba, Felipe Ximenes, quis saber sobre as possibilidades de negociação com Ponte Preta e Guarani nesta fase de montagem para a Série B do Campeonato Brasileiro. Após encaminhar sua resposta, o questionamento foi devastador. “Por favor, me diga como está o Jefferson Luís porque não temos qualquer informação da Série A-2”, disse.

O torcedor bugrino poderá ficar bravo comigo, mas as verdades doidas devem ser ditas: O Guarani está invisível no futebol brasileiro. Assim como os dignos garis, que trabalham e as pessoas nem sabem que estão por ali, o alviverde campineiro infelizmente virou um fantasma no futebol nacional. E pior: estamos a poucos dias da largada da Série B do Campeonato Brasileiro, e mesmo com a participação na divisão de elite no ano passado, o clube está longe de ser considerado um dos favoritos.

Você poderá argumentar que tal cenário será amenizado no domingo caso vença o Rio Preto. Engano. A provável festa não pode disfarçar alguns sintomas considerados preocupantes:

1-    Não faço caça às bruxas, mas é inegável que uma parte da torcida, seja comum ou organizada está divorciada da diretoria. Não sei e nem quero saber quem tem razão, mas essa desunião apenas agrava a péssima situação financeira do Guarani;

2-     A politica em qualquer setor de atividade é desenvolvida para fins nobres. Situação e oposição devem se degladiar no campo das ideias e quanto mais militante for a oposição, melhor. Mesmo que não venha a tomar o poder, idéias novas são colocadas e podem ser até adotadas. Aos fatos: o Guarani não tem oposição. Não tem idéias alternativas com respaldo em parte significativa dos associados. Resultado: sem debate, sobra apenas o lamento. Detalhe: a ausência de oposição vem desde a gestão de Beto Zini e de José Luis Lourencetti. Ou seja, o tumor já existia. A diferença é que agora espalhou-se pelo corpo. Que está prestes a morrer.

3-    Trabalho na imprensa esportiva local e assumo minha cota de responsabilidade. Perguntar, relatar e escalar time são funções que fazemos com esmero. Mas não passa de nossa obrigação. Nos últimos anos, porém, deixamos de procurar pessoas, personagens e instituições que pudessem mostrar alternativas à situação calamitosa vivida pelo Guarani. Exemplos práticos: José Carlos Brunoro não teria nada a ensinar? Amir Sommoggi, maior especialista em finanças de clubes brasileiros não poderia contribuir para o debate? E conversas com Rodrigo Caetano, Alcides Antunes e Bebeto de Freitas não lançaria luz para novos conceitos e idéias? Felizmente, o futebol não se resume as quatro linhas. É um esporte complexo, dotado de características próprias. E a imprensa teria obrigação de colaborar nesse debate. Falhamos. Clamorosamente.

Poderia citar outros pontos, mas somente estes demonstram que o desafio de reconstruir o Guarani não será finalizado com o acesso. É um trabalho que, além de envolver número e pagamento de divida, envolver um outro quadro mais complexo: não adiantará nada vender o Brinco de Ouro se não existir, ouso dizer, uma mudança de espirito, mentalidade e postura no clube, torcedores, imprensa e na cidade em geral. E nesse caso, o desafio é muito mais difícil.

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