Globo e Você: tudo a ver. Infelizmente.

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A Rede Record desistiu, a Globo continua agindo nas sombras e a Rede TV levou a licitação do Clube dos 13 para transmitir o Campeonato Brasileiro no período de 2012 a 2014. O valor do contrato bateu nos R$ 516 milhões anuais. Mas não é disso que quero falar, e sim da relação irritante que jornalistas e o público em geral nutrem em relação a Vênus Platinada.

Estou cansado de frequentar rodas de conversas em que a Globo é criticada por seu monopólio, tentativa de manipulação e a forma como trata o futebol. Não como objeto jornalístico e sim como negócio. Sua arrogância é vista como repugnante e muitos consideram um mal ao pais, especialmente porque se recusa a praticar um preceito básico do capitalismo: a competição.

Agora, também já vi essas pessoas colocaram-se a favor da Globo quando sua hegemonia é ameaçada. Exemplo prático: a novela da Record dá 12 ou 14 pontos não é porque a história é boa ou conta com atores gabaritos. A explicação é simples: quem assiste não tem bom gosto e perde tempo. “Quem sabe fazer novela é só a Globo”, sentenciam alguns. No Esporte, a ladainha é extensa: Galvão Bueno é humilhado de trás para frente, mas basta uma transmissão com Luciano do Valle, Luiz Alfredo ou Silvio Luiz para que seus defensores apareçam. Já ouvi gente dizer que não precisa mudar nada pois a Globo é melhor e ponto. O brasileiro é peculiar: só gosta de democracia quando interessa. Fora disso, é ditadura para dar e vender.

No final das contas, chego a conclusão que o público brasileiro comporta-se com a Globo como o camarada que tem uma namorada rica, cheia de dedos, mas que tem medo de apresentar aos amigos porque tem considera a garota pedante. Não assume.

Está na hora de sair do muro: ou a Rede Globo é mocinha ou vilã. Sinceramente, já me encheu o saco essa história do público criticar a emissora no atacado e defendê-la no Varejo. Enfatizar a inexperiência das outras concorrentes para propagar o nome dos patrocinadores e dos clubes é conversa fiada. Ou a Globo nasceu em 1965 já com o dom divino de fazer transmissões de futebol? Se por acaso ostenta um padrão de excelência é porque aprendeu com o tempo. Se não for aberta oportunidade para outros executarem o trabalho, essa eficiência jamais será vista em outros locais que não seja o Jardim Botânico.

Nessa história dos direitos de televisão, nunca é demais lembrar: o Clube dos 13 não fez caridade nenhuma. Apenas decidiu (com razão!) obedecer ordem do CADE, do Ministério da Justiça, para exterminar com o monopólio nas transmissões de futebol. Sejamos claros: se o público assumir o amor incondicional pela Rede Globo, saiba: é preciso fazer de peito aberto. No atual estágio, o que a emissora faz é flertar com a ilegalidade ao tentar impedir o cumprimento do CADE. Ah! Antes que me esqueça: se você está do lado da Globo nessa história e pensa que é a única alternativa para transmitir futebol no país, um aviso: quando você for ao estádio e a partida terminar próximo da meia noite vá embora de bico calado. Você é cumplice dessa farsa.

 

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