FHC e a dificuldade em reconhecer os méritos de Lula

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Ele adora apontar os defeitos do Lula. Como se ele tivesse perfeito na Presidência da República...

Até que demorou, mas Fernando Henrique Cardoso desandou a falar. Compareceu a um programa de televisão e disse que não entende o raciocínio da presidente eleita Dilma Roussef e que o sucesso de Lula deve-se ao fato de que ele aproveitou as bases estabelecidas em seu governo.

Vamos ser claros. O notório FHC tem um mérito incontestável: ajudou a construir e colocar em prática o plano Real, que exterminou a inflação e produziu estabilidade monetária. Isso nem o PT soube reconhecer no devido tempo.

Agora, alguns erros grosseiros não há como colocar embaixo do tapete. Antes da sua reeleição, em 1998, FHC fez de tudo para segurar a paridade do dólar com o real. Não podemos esquecer: o câmbio e não era flutuante. No ano seguinte, foi obrigado a executar a operação, o que provocou uma desvalorização monstro da moeda e a saída de milhões de dólares na reserva. E não adianta colocar a culpa em Lula, porque não havia eleições no horizonte. Arminio Fraga entrou, consertou mas o estrago na economia estava feito.

O que dizer então da política energética? FHC passou anos ignorando a necessidade de diversificar as matrizes de energia (eólica, termoelétricas, etc). Não tomou providência e a falta de chuvas e a consequencia falta de reservatórios nas hidrelétricas gerou o racionamento. Detalhe: o único estado na ocasião que não entrou foi o Rio Grande do Sul, que dispunha de alternativas graças ao trabalho de uma certa Dilma Roussef…

Para arrematar, Fernando Henrique Cardoso extinguiu a expressão reajuste salarial por oito anos do vocabulário do funcionalismo público. Não digo apenas daqueles com grandes salários e sim daqueles com rendimentos, de no máximo, R$ 1 mil ou R$ 2 mil. Se constituem na maioria, podem acreditar.

E o principal defeito de FHC não se constitua na questão administrativa. Ao tomar posse, ficou em posição imperial no cargo e fazia questão de emparedar certa distância de contato com o povo. Tal conceito pode agradar muito na Inglaterra, Espanha ou Portugal, países cuja população tem outra relação com os políticos. Aqui, é diferente. Sem identificação com as massas, não há como entrar sem ferimentos na história. Pena, mas FHC não compreendeu algo tão óbvio.

 

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