Fernando Haddad está fora do páreo? Nada disso. A guerra nem começou.

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O diagnóstico comum é decretar a morte política de Fernando Haddad após o Datafolha publicar no Jornal “Folha de S. Paulo” pesquisa em que mostra o prefeito com 15% de ótimo ou bom, 34% de regular e 40% de ruim ou péssimo. Um cenário que ficou ainda mais nebuloso com a divulgação da corrida eleitoral, em que o líder é Celso Russomano (PRB) com 34%, Marta Suplicy (PMDB) com 13%, seguida pelo jornalista e apresentador José Luiz Datena (13%) e o prefeito Paulistano com 12%. Feliciano com 4% e João Dória com 3% completam a lista. Com tantos números negativos eu me atrevo ir contra a maré. O político petista não deve jogar a toalha e por motivos objetivos.

Primeiro, a pesquisa de popularidade. É claro que 49% de ruim e péssimo é passaporte para impedir qualquer plano de reeleição. Mas leve em consideração que esses índices são frutos de um massacre midiático imposto todos os dias e que tem Haddad como vilão. Pare e pense: mesmo com o tom crítico e de má vontade de Fabiola Cidral, Marco Antônio Villa, José Paulo de Andrade, o prefeito ainda tem metade da cidade que lhe dá um crédito de confiança (34% de regular e os 15% de bom e ótimo). Sim, quem acha o governo regular pode até não bater palmas, mas tampouco solta vaias. Espera os acontecimentos.

O índice de ruim e péssimo pode ser diminuído. O PT historicamente tem 30% de rejeição e não é dificil imaginar que uma propaganda eleitoral bem feita no próximo ano e com as realizações de Haddad expostas de modo didático podem amenizar o quadro. Lembre-se: Dilma era dada quase como morta antes da campanha política começar. Marina Silva e Aécio Neves vestiram a faixa antes do tempo. Deu no que deu.

Propaganda eleitoral que pode modificar radicalmente o quadro eleitoral. Celso Russomano é líder? Sim. Mas reflita e pense que São Paulo, apesar da aversão ao PT nunca elegeu políticos outsiders, sem qualquer padrinho ou história de miltância. Celso Pitta faturou em 1996 graças ao dedaço de Paulo Maluf e Fernando Haddad só virou realidade graças a Lula. Ou seja, o desconhecido tem que ser avalizado. Senão, esquece. Desde a redemocratização e a escolha do prefeito paulistano, a partir de 1985, todos os vitoriosos ou tinham padrinho político ou tinham uma trajetória política para contar: Jânio Quadros, Luiza Erundina (não era outsider, tinha atuação nos movimentos e já era política), Paulo Maluf, Celso Pitta, Marta Suplicy, José Serra, Gilberto Kassab e Fernando Haddad. Pergunta: quem dessa lista pode ser considerado um aventureiro? Ninguém. Se conseguir a cadeira, Celso Russomano quebrará uma escrita.

E mais: hoje, na prática, Fernando Haddad disputa uma vaga no segundo turno contra Datena e Marta Suplicy. Um, novato e que será submetido pela primeira vez ao tiroteio verbal das campanhas e uma outra candidata, que, apesar da popularidade na periferia não é abraçada integralmente pelas classes mais altas. A disputa pode ficar mais embolada se o dedaço de Geraldo Alckmin prevalecer e João Dória Junior virar um candidato competitivo. Um segundo turno entre Haddad e João Dória? Não descarto.

Para terminar, não podemos esquecer de algo: a eleição paulistana é prioridade para o PT, que colocará estrutura, militância e estratégia a serviço de Haddad, que está ferido, mas pela qualidade baixa dos seus adversários está longe, muito longe de ser descartado. 

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