Felipão coloca “escola gaúcha” na berlinda

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Com a recusa de José Maria Marin em conceder uma oportunidade a um profissional estrangeiro, crescem as possibilidades de Tite assumir o comando da Seleção Brasileira em 2015, após três jogos tampão com Felipão no comando. Claro, desde que ele aceite tal absurdo.

O cenário provoca reflexão sobre um tema delicado e que poucos têm coragem de abordar: até que ponto o domínio da escola gaúcha de jogar futebol auxiliou na destruição das características de jogo do futebol brasileiro ao longo do tempo? Digo de cara: este artigo não é uma critica e sim uma análise.

Verifique um pouco de história. Até meados da década de 1970, o Rio Grande do Sul era uma força intermediária no futebol nacional, dominado pelo eixo Rio-São Paulo e quebrado apenas com o título cruzeirense da Copa Brasil de 1966 e o Campeonato Brasileiro de 1971 vencido pelo Atlético Mineiro.

A partir de 1975, tudo mudou. Com uma mescla de talento, força e disciplina tática, o Internacional de Porto Alegre liderado por Falcão no gramado e Rubens Minelli no banco de reservas arrebatou três títulos brasileiros. Posteriormente, o Flamengo retomou a hegemonia do futebol brasileiro, mas encontrou no Grêmio o seu principal rival. O tricolor gaúcho faturou o Brasileirão de 1981, sagrou-se vice-campeão nacional em 1982 e no ano seguinte comemorou a Libertadores e o Mundial. Parecia a arrancada definitiva do Estado, mas inexplicavelmente veio um ostracismo que durou até a década de 1990.

Após a vitória do escrete canarino nos Estados Unidos em 1994, com a receita da marcação e da posse de bola, o Palmeiras da Parmalat encontrou nos pampas o seu rival. Comandado por Luiz Felipe Scolari, o Grêmio faturou o Brasileiro de 1996, Libertadores de 1995 e ficou por um triz do Mundial. O esquema tático? Defesa segura, jogadores disciplinados taticamente e um atacante de referência para colocar a bola dentro do gol, Jardel.

A fórmula virou sinônimo de sucesso e abriu espaço para Felipão fazer história no Palmeiras e na sequência transformar este estilo de trabalho em referência com título mundial de 2002, apesar de uma ou outra mudança pontual. Celso Roth, por exemplo, apesar de chamado de retranqueiro, tirou sua casquinha ao faturar a Libertadores de 2010. Mano Menezes, um dia revelação no XV de Novembro de Campo Bom (RS), foi protagonista da Batalha dos Aflitos em 2005 e depois invadiu o Corinthians com boa campanha na Série B de 2008 e a conquista da Copa do Brasil de 2009. Tite? Nem precisamos dizer diante do caminhão de títulos com o Corinthians.

Tal sucesso refletiu-se na Seleção Brasileira. Felipão, Mano Menezes e Dunga foram os representantes da Escola gaúcha a sentarem no banco de reservas. Lado negativo: o Brasil não experimentou novas tendências e características de outros estados e países. A fórmula do sucesso parecia que só sairia do Rio Grande do Sul. Uma fórmula, aliás,  predestinada a privilegiar a defesa do que o trabalho de meio-campo e ataque. Resultado: dá-lhe atacantes de força, jogadores de estatura e volantes para congestionar o meio-campo.

Quando precisa mudar tal roteiro, não é difícil encontrar tais profissionais enrolados em suas próprias falhas. Algo, porém, deve ser dito: a escola gaúcha não pode e nem deve ser desprezada por causa da falta de atualização de um único profissional. Deve receber reconhecimento por seus títulos e conquistas. Mas não podemos deixar de apontar seus defeitos.

Não ignoro a sede de títulos e de conhecimento de Tite. Ele jogou diferente no Corinthians? É verdade. Porém, uma hora ou outra o DNA vai prevalecer. É hora de testar outras escolas, outra visão a respeito do futebol.

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