ESPN Brasil e o exercício de futurologia do jornalismo esportivo brasileiro

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Assistir a ESPN Brasil é um belo exercício para analisar os destinos do jornalismo esportivo no Brasil. Dois programas de debates, exibidos em dias e horários diferentes exibem o dilema existente entre o entretenimento e a busca do exercício do ofício com argumentação, informação e exercício crítico.
 
O primeiro programa chama-se “Resenha” apresentado por Rodrigo Rodrigues e o ex-lateral esquerdo Sórin. Comemorou um ano de existência com a presença do ex-atacante Walter Casagrande, entrevistado pelos ex-boleiros Alex, Djalminha, Fábio Luciano.
 
O bate papo teve instantes saborosos, histórias bem contadas e relatos até emocionantes. Duro é se você realizar um exame mais minucioso da estrutura do programa e seus desdobramentos verá que o programa nada mais é do que um encontro de amigos.
 
Uma conversa em que 90% do tempo passa-se mais tempo falando dos problemas internos da profissão do que analisar o futebol como fenômeno cultural e social.
 
Diga-se de passagem que Casagrande teve a coragem de enfocar a alienação do jogador de futebol em relação aos dramas sociais do país e conflitos existentes na sociedade.
Ressalte-se: Alex aproveitou o gancho para denunciar os jogadores perseguidos após a decretação do Bom Senso Futebol Clube e o fantasma do individualismo que reina no futebol nacional. Pouco importa o resultado. Não deixa de ser um encontro de amigos. Com um nível cultural e de informação acima dos demais. Mas é entretenimento.
 
Pegue este modelo e mire seus olhares no “Linha de Passe”, veiculado ás segundas feiras. Talvez seja o último representante do modelo consagrado pela “Grande Resenha Facit”, transmitido na década de 1960 na televisão do Rio de Janeiro. Ou seja, jornalistas preparados, cultos, de formação intelectual e capazes de formularem teses que façam o telespectador pensar e sentir-se dentro da discussão.
 
Juca Kfouri, José Trajano, Mauro Cezar Pereira, Leonardo Bertozzi não podem ser comparados a gênio como João Saldanha, Luiz Mendes, Nelson Rodrigues e Armando Nogueira. Só que glorificam a missão de pensar o futebol fora das quatro linhas.
 
De estabelecer como marco de formação social do povo brasileiro. De pedir reflexão sobre o fenômeno da violência nos estádios ou da elitização que cresce a cada dia. Pensar, refletir, analisar. Verbos em desuso no jornalismo esportivo brasileiro e que são defendidos todas as segundas e sexta-feiras.
 
Qual é o melhor? Quem é imprescindível? Não há como viabilizar resposta. Mas dá para assegurar que a durabilidade, sucesso e fracasso de um ou de outro poderá ajudar a determinar o rumo dos jornalismo esportivo brasileiro para os próximos anos.

2 COMMENTS

  1. Elias, analista de futebol deve evitar contato com jogadores e treinadores. Quanto mais se aproximam do meio, mas aumenta a influência em seus comentários. Inconscientemente, laços de amizade impõem freio no comentarista para falar ou escrever aquilo que a realidade coloca. O caso mais evidente é do ex-jogador em atividade Fernando Fumagalli. Há tempos ele se arrasta em campo, e é impossível que só eu tenha visto isso. Viram, mas e a amizade?

    • Ari, concordo integralmente com você. Cada um no seu canto. Eu, particularmente não tenho amizade com ninguém. Ps: quanto a Fumagalli você tem razão. Deveria ficar no banco de reservas. Fato.

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