Erros, acertos e a humildade de Guto Ferreira na Ponte Preta…

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Quando trabalho em um jogo de futebol, observo o comportamento dos personagens envolvidos. Cada gesto ou decisão deve ser adotado em segundos. Não há como vacilar. Após a vitória por 2 a 1 sobre o Náutico, quarta-feira, ganhei alguns elementos para acreditar no sucesso da gestão do técnico Guto Ferreira.

Sejamos francos: o primeiro tempo foi um desastre. A Macaca perdeu de 1 a 0, foi envolvida pelo oponente e jogadores não funcionaram. Acontece. Às vezes, o ensaio do treinamento não ocorre no jogo.  Guto Ferreira teve uma atitude sábia no intervalo: usou os 15 minutos para corrigir o posicionamento e também para promover uma substituição, a entrada de Luan no lugar do volante Lucas.

O time melhorou, produziu a virada e contentou o torcedor pontepretano. Principalmente porque alguns instantes, a Macaca exibiu a pegada de rodadas anteriores. Sim, é mérito de Guto Ferreira porque não compactuou com o erro. A missão é agora somar pontos contra o líder Fluminense e o desesperado Sport. Que Guto Ferreira estudará os adversários não tenho dúvida. Que saberá realizar a leitura de jogo adequada também é certo. Mas nada disso adiantará se a Ponte Preta não encontrar o seu perfil sob o seu comando. Mais do que destrinchar virtudes e defeitos dos oponentes, a missão da nova comissão técnica da Macaca é sentir o grupo sob o seu pleno domínio no aspecto tático, físico, técnico e emocional. A humildade exibida nos seus gestos é passo fundamental para alcançar o êxito.

Posteriormente, ao tomar posse desse patrimônio, será preciso instigar uma relação mais intensa e cordata com a torcida, que já deu provas de se constituir no grande craque da Alvinegra quando deseja.

Para ajudar nessa conquista primordial, o treinador poderia realizar alguns acertos de caráter simbólico, mas que podem ser de grande valia no futuro. Percebam: nas entrevistas coletivas, Guto Ferreira sempre cita o nome Ponte Preta e dificilmente utiliza o pronome “nós”.

Um clube de futebol é, antes de tudo, um trabalho coletivo e as entrevista se constituem no palco ideal para reafirmar o conceito de coletivo de que todos caminham para o mesmo lado. Ao dizer que a “Ponte Preta fez”, “a Ponte Preta não foi bem”, Guto parece adotar uma posição distante, sem encontrar-se realmente ao projeto. Antes que me espinafrem: tenho convicção de que o treinador não faz isso por maldade. É praxe profissional. O ideal seria calibrar o discurso e ficar mais próximo do perfil de um time popular, apaixonante, intenso, forte e que em sua história sempre teve a ação coletiva como marca registrada.

É um detalhe, periférico eu sei. Especialmente ao se verificar que o treinador da Ponte Preta pode ter muitos defeitos, mas algo é certo: ele tem muita vontade de acertar. Já é um grande passo.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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