Em um país (ainda!) injusto, a loteria é a esperança

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A Folha de São Paulo traz como destaque na edição de sábado a implantação da aposta de loteria por intermédio da internet. Mais: traz um relato de que a Caixa Econômica Federal não encontra-se nem um pouco preocupada com possível queda na movimentação das loterias. Na visão do banco, a nova modalidade de aposta será destinada as classes A e B. Por um motivo: a aposta só será feita com a aquisição de um cartão pré-pago no valor de R$ 100 e que será debitado a cada aposta.

Fico espantado não com a nova metodologia, e sim com a obsessão das pessoas em resolverem suas vidas em um simples papel de loteria. Aliás, um realidade retratadas pelas novelas. “Aquele Beijo” e “Fina Estampa”, da Rede Globo e “Vidas em Jogo” da TV Record mostram os conflitos e os inconvenientes gerados quando a sorte grande bate á porta.

Percebam: a ânsia de buscar a fortuna em um estalar de dedos é fruto da descrença existente no Brasil que o trabalho poderá gerar uma escalada social. O lugar mais alto do pódio parece reservado a um grupo seleto, sempre pronto a morder mais e mais recursos. Sim, existe o exemplo de um Silvio Santos, iniciado como camelô e que alcança o posto de líder de uma das maiores emissoras de televisão do mundo. Mesmo assim, parece que seu exemplo parece uma exceção. O PSDB de Fernando Henrique Cardoso sempre bate na tecla que é preciso incentivar o trabalho e o mérito. Concordo. Mas nas condições atuais, só os privilegiados de berço alcançam o eldorado. O PT tentou quebrar essa maldição com alguns programas sociais, o que explica parte da popularidade de Lula no passado e de Dilma no presente.

O dia em que o país definitivamente contar com um sistema de educação eficiente e oportunidades concretas de ascensão social e econômica, as pessoas irão jogar na loteria para ganhar um dinheirinho a mais e não para mudarem seus destinos, que já estará construído por suas próprias mãos.

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