Eleições: o que vai sobrar do Brasil?

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Em algumas oportunidades eu estive tenso. Em outras entusiasmado. Em sereno por entender que a democracia também prevê a oportunidade de todas as correntes ideológicas. Hoje, sábado, dia 01º de outubro encontro-me triste em uma véspera de eleição. Não porque A vencerá B. Ou que o azul vai prevalecer sobre o vermelho. Ou que os defensores do Verde Amarelo vão comemorar. A minha indagação é apenas uma: o que vai sobrar do nosso país? Qual tipo de convivência teremos de agora em diante?

As provas de desordem estão oferecidas ás pencas. Eu mesmo testemunhei. Semana passada coloquei uma foto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Fiz uma proposta: se não gostam dele (direito exercido e garantido pela democracia) que oferecessem um nome. Pois nos 26 comentários colocados ali, somente três (!) ofereceram um nome para presidente da República: dois em Ciro Gomes e um Magno Malta. No restante, o que prevaleceu foi um espiral de ódio e de violência contra o ex-presidente que me fez chegar a conclusão de conceder razão de muitos defenderem um reforço na segurança do ex-mandatário da nação. Delírio? Nada disso. Lunáticos existem aos montes por aí. Eles já tem o tempero oferecido pela sociedade.

Dias depois, o senador Lindbergh Farias é agredido na saída de um restaurante. Sua esposa é jogada no chão. O algoz chegou a tirar a camisa e partir para cima do parlamentar. Pergunta: e se ele estivesse armado? E se ocorresse um atentado? O petista tem filhos, parentes. Quem iria se responsabilizar caso o pior acontecesse? Pergunto novamente: o que vai sobrar do país?

Tal onda de violência recebe um tempero explosivo: a chancela de líderes religiosos. Em uma típica atitude de demonização o pastor Silas Malafaia utiliza as redes sociais para pregar que não votem em determinado partido. Uma postura deplorável que não começou com e sim com o pastor Paschoal Piragine, da Primeira Igreja Batista de Curitiba, que em 2006 utilizou da mesma linha de raciocínio para pregar o ódio contra o PT. Para que? A serviço do que? Para conseguir o que em troca?

Não são exemplos isolados. Em Campinas, uma perseguição silenciosa e implacável é detonada por pastores e frequentadores de Igrejas Evangélicas contra eleitores e políticos progressistas. De modo sorrateiro e sutil são convidados a se retirarem e exercerem sua fé de preferência na rua. Não, não são pastores de igrejas pequenas. São os líderes de grandes igrejas, dotados de poder econômico e político, agora determinados não só a indicarem em quem votar (o que é deplorável) mas em quem não votar e até conviver em sociedade. Excetuando-se alguns líderes da Igreja Metodista, Presbiteriana e Luterana, que não se colocam como cabos eleitorais e utilizam a palavra de Deus para clamar por Justiça, do restante ninguém escapa. Ninguém. Pergunto: o que vai sobrar do nosso país?

Amanhã, muitos vão dirigir-se as seções eleitorais, depositar o seu voto com a meta de exercer a sua visão de democracia. Que é a de eliminar o oponente. Na urna e na vida em sociedade. O que vai sobrar do nosso país?

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