Eduardo Suplicy é uma prova viva da inabilidade política de Dilma

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Uma comoção nacional foi gerada em torno de Eduardo Suplicy. Com razão. A integridade, honestidade e sua conduta no poder público justificam sua atitude na desocupação em São Paulo e a solidariedade gerada após sua prisão. O que pouca gente não entendeu (ou não quer compreender ) é que o ex-senador explica em parte (repito: em parte!) o fracasso de Dilma Roussef na política.

Desde o ínicio do seu mandato, Dilma assistiu a uma fragmentação política poucas vezes vista na história política do país. Partidos foram criados do dia para a noite e figuras de segunda linha no passado recente, como Gilberto Kassab e Eduardo Cunha ganharam poder e prestígio nos corredores do poder. Alguns trataram de sabotar Dilma Roussef desde o primeiro minuto enquanto que outros pularam fora do barco na hora da votação do impeachment, caso específico do ex-prefeito de São Paulo.

Sim, Dilma estava cercada de gente que não transmitia confiança de que poderia ajudá-la a implantar o seu programa de governo, mesmo que tivesse sido alterado após o fechamento das urnas e sem avisar o distinto público.

O que fazer em tal circunstância? Muito simples: ouvir, conversar e estar ao lado de quem transmite um mínimo de confiança e credibilidade.

E neste trecho do enredo que entra Suplicy. Você pode considerar o senador um chato de galocha. Dizer que seu discurso pela renda mínima é enfadonho, repetitivo, sem nexo. Ou até considerar que sua atitude na ocupação foi demagogo, populista. Ok, discordarei de ti, mas são argumentos que fazem parte do jogo democrático.

O que ninguém pode contestar é a lealdade de Eduardo Suplicy ao PT e ao seu projeto de governo e de poder. Nos últimos anos, o partido foi denunciado, colocado em julgamento público e o senador nunca deixou a trincheira. Detalhe: apesar de ter sido escanteado e até desprezado por muitos líderes do partido. Inclusive Lula.

Durante os seis anos de mandato de Dilma no Planalto, em uma situação vexatória Suplicy pediu, clamou e suplicou por uma audiência. Queria entregar o livro de sua autoria sobre a renda minima. Uma conversa que duraria, vai lá, 20 minutos, meia hora. Pois Dilma nunca teve espaço para recebê-lo. Só abriu as portas depois de ter sido afastada pela Câmara dos Deputados. Pergunto: adiantou para quê? Se ela recebesse Suplicy quando estava no Planalto, será que a postura do Senador em defesa ao governo não teria sido mais aguerrida, mais combatente?

Mais: se contemplou tantos politicos derrotados nas urnas, por que Dilma não insistiu e pressionou Suplicy para ocupar um cargo na esplanada no seu segundo mandato? Pois é. Uma presidenta que queria distância dos inimigos (com razão), mas não prestava atenção aos verdadeiros aliados. Sim, Dilma é vitima de um processo político tramado nos gabinetes. Seus erros, entretanto, não podem ser colocados para debaixo do tapete. E o seu tratamento com Suplicy é um atestado de inabilidade política. E talvez as eleições de outubro, nas quais Suplicy será candidato a vereador por São Paulo, apenas escancarem ainda mais o tamanho do equívoco.

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