Duque de Caxias 2 x 1 Guarani: o que fazer Tarcísio? E agora Negrão? Giardini encontrará uma saída?

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O futebol é cruel. Perverso. Em algumas oportunidades até injusto. Capaz de transformar mocinhos em vilões e vice- versa. Pede respostas imediatas e explicações convincentes. Quando não se consegue o objetivo delineado, a cobrança é inevitável. Após a derrota do Guarani para o Duque de Caxias por 2 a 1, válido pela Série C e diante da ameaça de saída do grupo de classificação, não há como deixar de cobrar três personagens centrais: o presidente Álvaro Negrão, o diretor de futebol, Rogério Giardini e o técnico Tarcísio Pugliese.

Acompanho os dois clubes campineiros profissionalmente  há cinco anos e sou testemunha do esforço de cada um dos personagens citados acima em buscar o reerguimento do Guarani. Mas em determinados momentos o futebol ignora o passado, cobra medidas no presente e quer soluções para o futuro.

Falhas

Este é o cenário colocado diante do Guarani, que não vence há sete jogos e mostra um preocupante decréscimo de produção. Falhas de marcação são constantes nas jogadas de bola parada, os atacantes padecem de inspiração nas conclusões e se verifica nitidamente as dificuldades encaradas por Fernandinho e também por Fumagalli para cumprirem toda a dinâmica de jogo requisitada pelo técnico Tarcísio Pugliese.

Querem outro dado? A principal jogada ofensiva bugrina é a bola pelos lados para o armador Rossini, rápido em buscar a linha de fundo. Pois os adversários encontraram um jeito de marcar a jogada e colocaram dificuldades ao jogador. Mas é preciso deixar claro: contra o Duque de Caxias, Rossini até que teve desempenho razoável.

O que dizer então dos zagueiros? Não são apenas nas jogadas de bola parada. Infelizmente, os espaços são oferecidos de modo constante aos atacantes adversários. O centroavante João Carlos ficou próximo de marcar outros dois gols não por seus méritos e sim pelos vacilos de Paulão, Julio César, zagueiros anteriormente protegidos pelo dinamismo de Wellington Simião e pela volúpia de Edmilson. Desde a lesão de Simião, nunca mais Pugliese encontrou outro jogador a altura. Elyeser é esforçado, corre, busca espaços, mas não sai do trabalho burocrático.

Outra proposta

Diante da conjuntura, é necessário fazer uma pergunta ao treinador bugrino: não existe outro modelo de jogo? Sim, um outro posicionamento defensivo que possibilite retornar com a proteção oferecida a zaga no turno anterior? E mais: por que ao soltar o time no ataque, a defesa ficou tão fragilizada? Falta de qualidade dos jogadores? Falta de atenção nos instantes cruciais? Vai entender…

E mais: será que jogadores como Roninho e Laionel, mais rápidos e de preparo físico apurados, não teriam capacidade de exercerem as funções de marcação de modo mais eficiente do que fazem atualmente Fumagalli e Fernandinho? Veja que não citei o centroavante. Raphael Macena foi um belo achado. É o melhor camisa 9 do elenco bugrino.

Tarcisio Pugliese fazer sua parte e alterar os rumos da estratégia de jogo não basta. A diretoria bugrina não pode vacilar ou ser lenta nas decisões.

Rogério Giardini e Álvaro Negrão tentaram sacudir o elenco com as dispensas na semana passada. Uma forma acertada de avisar aos atletas que a saída pura e simples do treinador não seria adotada.

Mas penso que o atual quadro, delicado e grave pede uma intervenção radical. Intertemporada em outra cidade antes do jogo contra o Betim (MG),  conversas mais demoradas com a comissão técnica a respeito do trabalho conduzido e cobranças e alertas aos atletas sobre a necessidade de somar sete pontos nos três jogos restantes, são medidas simples que fariam um bem danado.

Troca de treinador?

Trocar a comissão técnica? Sei que muitos torcedores são favoráveis a medida. E em outras gestões já teria sido adotada há tempos. Mas duas questões saltam aos olhos: se foi o Tarcísio Pugliese o responsável pela montagem de 90% do elenco, outro treinador seria capaz de tirar mais potencial da equipe? Esse novo treinador exibiria o mesmo comando no vestiário? Quem o Guarani poderia contratar para dar um tratamento de choque nesta reta final de Série C e dentro de sua realidade financeira: Ferreirão? Vadão? Jair Picerni? Roberval Davino? Luciano Dias? Não é algo fácil de responder.

Agora, se a diretoria chegar a conclusão que a demissão do treinador é a saída, não pode titubear. Tem que abraçar a tese e arcar com as consequências. O que não dá é ficar sócio do imobilismo. Seria o carimbo do passaporte para permanecer na Série C em 2014.

 

 

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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