“Doutor Estranho” apresenta mais do mesmo

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Filme segue a fórmula já batida, porém segura, da maioria das adaptações que trazem a origem dos heróis

– por André Lux, crítico-spam

Está havendo uma saturação de filmes sobre super-heróis nos cinemas, com Marvel e DC competindo para ver quem lança mais filmes no ano. Até agora a Marvel tem levado a melhor, com filmes dinâmicos, curtos e divertidos, enquanto a DC se perde em produções pesadas, longas e irritantes.

Surge agora esse “Doutor Estranho”, criado por Stan Lee e Steve Ditko, um médico arrogante que sofre acidente (extremamente exagerado no filme), sai em busca de uma cura para sua condição e acaba virando um poderoso mago.

Uma premissa até interessante, mas que acaba sendo desperdiçada por um roteiro que copia fórmulas já utilizadas antes nos outros filmes baseados em quadrinhos, principalmente “Batman Begins” e “Homem de Ferro”, e em soluções visuais que lembram demais “A Origem” e até “Matrix”. Ou seja, é mais do mesmo.

Não gosto muito do ator Benedict Cumberbatch, que faz o protagonista, pois atua sempre de forma posada, fria e artificial, fatores que impedem qualquer empatia com os personagens que representa. O filme falha em explicar a mudança na personalidade do sujeito, que teria que se livrar do seu enorme ego para conseguir praticar as magias, algo que acontece de forma absolutamente superficial – aparentemente, basta ser abandonado no meio do Himalaia e, pronto, você vira uma pessoa super humilde e capaz de abrir portais dimensionais imediatamente.

Também não fica claro de onde vem os poderes mágicos do Doutor Estranho (ele retira sua força do universo ou isso é algo que vem de dentro dele?), muito menos quais são extensões e regras deles, um problema que atrapalha a maioria dos filmes de super-heróis atualmente (como o Thor, por exemplo, que em uma cena só consegue voar depois de girar seu martelo, mas em outra sai voando sozinho e pega o martelo no ar).

O filme segue a fórmula já batida, porém segura, da maioria das adaptações que trazem a origem dos heróis, culminando com uma batalha contra os vilões, cujo líder aqui é o ótimo ator dinamarquês Madds Mikelsen totalmente desperdiçado, exceto por uma única cena onde ao menos tem um longo monólogo durante o qual tenta dar alguma profundidade aos atos do seu personagem.

Claro que os fãs do personagem e de quadrinhos em geral vão dar uma banana pra tudo isso que escrevi e certamente adorarão o filme, que em última instância foi feito para eles mesmo. O resto dos mortais talvez não ache tanta graça assim, infelizmente.

Cotação: * *

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