Do que tem medo Tiago Leifert?

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A vida é feita de escolhas. Decisões definem o caminho que vamos seguir e os respectivos benefícios e prejuízos. O jornalismo não foge a regra. No segmento esportivo, talvez o cenário fique ainda mais transparente. De um lado, um grupo defende uma abordagem critica e fiscalizadora a respeito das ações dos cartolas. Do outro, o foco está em focar o futebol como entretenimento. Nada de denúncias, criticas aos atos da cartolagem… o que importa é ver a rede balançar, lançar umas brincadeiras no ar e deixar a galera feliz. Dizem que tal procedimento atrai a audiência de mulheres, crianças e adolescentes. Uma análise que não podemos ignorar. Os homens só assistem televisão basicamente para acompanhar filmes, noticiários e jogos. E compõem uma parte pequena da audiência total.

Ninguém pode negar: Tiago Leifert mudou o parâmetro do jornalismo esportivo no Brasil. Seja no Globo Esporte e na “Central da Copa” no ano passado, seu jeito despachado e bem humorado atraiu seguidores e admiradores. A audiência do programa esportivo principal da Globo aumentou substancialmente. Mérito dele.

Agora, existe o preço a ser pago. O planeta Terra tem conhecimento de que Ricardo Teixeira tem relação estreita com a Rede Globo. Não vê com olhos tristes a movimentação para manter a transmissão na Vênus Platinada no período de 2012 a 2014 do Campeonato Brasileiro. Também está tranquilo em relação ao enfoque do noticiário global nos preparativos para a Copa do Mundo. Calma, a Rede Globo não esconde noticia, ela só não dá destaque demasiado para aquilo que é considerado prioridade para o jornalismo critico.

Infelizmente, para Ricardo Teixeira e a Globo, existe uma oposição militante. Desconfia de tudo e de todos e abraçou com fervor a ideia de uma CPI apresentada pelo deputado Anthony Garotinho.

Automaticamente, nessa fase de debates exaltados, um alvo sempre é procurado. Dessa vez foi Tiago Leifert. O seu twitter foi invadido nos últimos dias por questionamentos de twiteiros sobre a ausência do tema no Globo Esporte. Sua resposta foi ríspida, dura e culminou com sua saída momentânea do microblog nos últimos dias.

Uma matéria publicada na Folha de São Paulo desta sexta-feira (25/03) fez o jornalista mudar de idéia. O texto traz a informação  de que ele teria saído do Twitter por ordens da emissora. Sua reação no Twitter foi intempestiva e chegou a chamar de “imbecis” as pessoas que acreditassem na noticia.

Realmente, não é confortável ter que encarar o seu trabalho na berlinda. Mas penso que tanto Tiago Leifert como todos que abraçaram esse jornalismo de entretenimento esquecem de pontos essenciais. A principal: eles detêm poder. Leifert em especial porque está na emissora de maior audiência do Brasil. Pode construir e arrebentar com reputações de pessoas e de instituições em questão de segundos. É necessária uma boa dose de calma e tranquilidade para lidar com esse tipo de situação porque o outro lado não vislumbra boa intenção em qualquer conjuntura por parte da Globo e de seus funcionários.

Diante disso, a saída é adotar a tolerância.  Se ele acha que o caminho para o Globo Esporte é o da descontração e automaticamente ignorar o jornalismo esportivo, siga a trilha e adote serenidade para lidar com as criticas. Se forem injustas, o tempo tratará de expor os críticos ao ridículo. Apelar e perder a cabeça só dá razão a quem adota tática de guerrilha.

Não sou fã de Tiago Leifert  e do seu estilo de fazer jornalismo. Mas respeito e reconheço seus méritos. Por outro lado, espero que ele também entenda que em uma sociedade democrática é preciso trocar ideias, conceitos e argumentos com o lado opositor. O jornalismo esportivo só ganharia com essa postura. Seja o grupo que adora apenas a bola na rede ou daqueles que sonham em ver Ricardo Teixeira e a cartolagem pelas costas.

 

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