Diretoria corinthiana aponta injustiças. Mas não faz (quase!) nada para produzir justiça!

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Digo sem medo de errar: nunca uma morte em estádio de futebol gerou tamanha comoção no Brasil. A morte de Kevin, de 14 anos, gerou reação na opinião pública. Em dois dias de acompanhamento no Facebook, verifiquei, no mínimo, 30 opiniões sobre o episódio. Uns condenando o Corinthians, outros reclamando por absolvição e outros com postura apática, ou seja, a chiadeira será enorme agora. Depois, tudo ficará do mesmo tamanho e a impunidade reinará.

Não fico em cima do muro e considero que a punição não é descabida, até pelo histórico Internacional. Basta ver que no dia 29 de maio de 1985, a confusão e as mortes registradas no jogo entre Juventus e Liverpool gerou uma suspensão de cinco anos aos clubes ingleses na Liga dos Campeões. Aliás, este foi o período utilizado pelos clubes ingleses para aprimorar a segurança e reformar os estádios com novos padrões.

Quatro anos depois, um novo sinal de que algo precisava ser feito: no 15 de abril de 1989 no Estádio Hillsborough, em Sheffield (Inglaterra) durante o jogo entre Liverpool FC e Nottingham Forest, válido pelas semifinais da Taça da Inglaterra, 96 torcedores do Liverpool morreram pisoteados e outros 766 ficaram feridos. Nesse caso, após um período de investigação, ficou constatado que o estádio não oferecia condições mínimas de segurança.

São episódios isolados? Sim, com certeza, mas os clubes envolvidos mostraram disposição para aprimorar os padrões de segurança e enquadradar os torcedores baderneiros. Além de aceitarem a punição, os clubes colaboravam com as investigações. Queriam tirar o futebol do estado de selvageria e coloca-lo no mundo do entretenimento. O esforço está premiado com o atual padrão de comportamento nos estádios ingleses.

No atual episódio, o que mais irrita é a falta de disposição da diretoria corintiana em auxiliar nas investigações da polícia boliviana. Alguns podem argumentar: ah, mas a torcida é totalmente dissociada da direção do clube.
Mais ou menos. Mesmo com o distanciamento promovido na administração de Mário Gobbi, quem acompanha futebol sabe que o atual grupo político sempre teve relações no mínimo amistosas com as torcidas organizadas.

Nesse instante pelo menos a diretoria do Corinthians, ao invés de alardear que deseja colocar torcida contra o Millionários no Pacaembu ou que vai recorrer punição da Conmebol deveria sim destinar um dirigente para ficar em Oruro para ajudar nas investigações policiais e se acreditar na inocência dos torcedores corinthianos prestar assistência jurídica e institucional. Este blogueiro acompanhou os noticiários de internet, televisão e dos veiculos impressos e não encontrou declarações nesse sentido. E se foram dadas, estão sufocadas pela ânsia da diretoria em apenas preservar a alta arrecadação dos jogos da Liberadores. Na questão de assistência juridica, nota 10 para a embaixada brasileira na Bolívia, rápida em prestar auxilio aos torcedores encarcerados.
Com a atual postura, a diretoria do Corinthians apenas reforça a impressão de que punição é muito bem vinda.

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