Dilma x Cunha: O monstro gerado em junho de 2013 tem que ir para a jaula

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Brasília - DF, 02/12/2015. Presidenta Dilma Rousseff durante pronunciamento à imprensa no Palácio do Planalto. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Eduardo Cunha de um lado. Dilma Roussef do outro. A guerra detonada na quarta-feira à noite pelos corredores de Brasília se constituem em oportunidade única para o atual governo recuperar parte da credibilidade e para a sociedade colocar na jaula o “monstro” gerado a partir das manifestações de junho de 2013.

Quem conhece a história do Brasil sabe que os embates políticos tem dois campos definidos. Do lado esquerdo, os trabalhistas, cujo símbolo é Getúlio Vargas, que patrocinou uma ditadura nojenta, rasgou a constituição e como paradoxo implantou medidas que trouxeram alivio e dignidade aos trabalhadores, que votaram ao seu retorno em 1950. A jornada de trabalho, as férias remuneradas, a permissão do voto a mulher…os pobres eram lembrados pela primeira vez. Não esqueceram e retribuíram.

Defensor da presença do Estado como indutor da Economia, Vargas criou pupilos para defender o seu legado após cometer suicídio: João Goulart, Leonel Brizola e até JK, que como governador de Minas Gerais era constantemente elogiado pelo líder popular. Nunca podemos esquecer: a instalação da Petrobrás e da Companhia Siderúrgica Nacional foram instalados por Vargas e se constituem em fruto desta visão de país.

Este legado foi carregado por Dilma e por Lula, um líder “autorizado” a militar por Golbery na década de 1970 porque o regime militar entendia que sua presença racharia o campo esquerda e assim evitaria a ascensão de Brizola. O plano deu certo em 1989, mas caducou nas eleições seguintes. Lula virou o lider incontestável e assim pavimentou suas duas vitórias e de sua pupila.

No campo da direita, sempre tivemos as oligarquias e políticos sedentos em incentivar a participação do empresariado e de focar uma economia de mercado. Governadores de Minas Gerais e do estado da Guanabara na década de 1960, Magalhães Pinto e Carlos Lacerda foram expoentes desta linha ideológica, seguida depois por políticos que estiveram junto com Fernando Henrique nos seus dois mandatos. Foi esse grupo que sustentou o governo Collor e o patrocínio de sua abertura comercial nos anos 1990.

Apesar das eleições acirradas e de alguns golpes baixos, a disputa e o debate era no campo das ideias e de visão de país.

A partir de junho de 2013, tudo mudou: forças conservadoras, que no fundo não tem relação com a direita liberal e consciente construída no Brasil,  quiseram tomar as rédeas do debate. Apesar da reeleição de Dilma, a pauta econômica e política deu espaço para um portifólio moral, encaminhado, defendido e visto como essencial por grupos que anteriormente não participavam do debate político: pastores Cristãos fundamentalistas, Skinhead´s, gente metida com organizações defensoras de perseguição a minorias…Um clima de terror catapultado pelas redes sociais, abrigo para todo tipo bizarro.

Foi esse caldo de maldade que gerou e deu condições ao surgimento de Eduardo Cunha. São estas pessoas que no fundo, no fundo, abraçam o discurso moralista de baixo padrão e impedem o pais de avançar e retomar o debate em cima de programas de governo.

Lutar pela permanência de Dilma não é apenas assegurar o Estado Democrático de Direito. É, antes de tudo,, permitir e abrir espaço para que vozes sensatas, cultas e influentes do espectro conservador sejam ouvidas. Pense: em qual país decente do mundo um Claudio Lembo seria trocado por Olavo de Carvalho?

Não faz mais sentido a direita brasileira ser conduzida por um discurso moralista e sem alternativas. Aécio Neves, José Serra, Roberto Freire, Jarbas Vasconcelos, Aloisio Nunes…São políticos que em um cenário normal seriam apenas de segundo escalão ou considerados folclóricos.

As jornadas de junho de 2013 foi o estopim para o discurso defendido por eles ganhasse relevância. A partir de agora, a missão de qualquer brasileiro decente é colocar este monstro na jaula. E reinstalar um debate sério sobre política, em cima de ideias e não sobre pautas morais e vingativas. O Brasil merece algo melhor.

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