Dilma Roussef exibe disposição para brigar. Até quando?

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Depois de meses pressionada por parlamentares e por veículos de comunicação, a presidenta Dilma Roussef mostra disposição em querer sair das cordas. O primeiro passo foi o anúncio da medida de proteção ao emprego, em acordo fechado com centrais sindicais e os empresários e que vai determinar corte de salários e de jornada de trabalho para empresas que comprovarem dificuldades em saírem da situação delicada. O desconto deveria ser de 30%, mas como o governo utilizará parte do Fundo de Amparo ao Trabalho para cobrir a diferença, o desconto ficará em 15%. E tenho certeza que entre perder o emprego e ter o salário momentaneamente diminuído, o trabalhador não vai titubear a escolher a segunda opção.

Em entrevista a Folha de S. Paulo, a mandatária mostra disposição de luta pelo seu mandato. Afirmou que parte da oposição é golpista e que fará de tudo para o ajuste demorar o menor tempo possível.

São iniciativas louváveis mas que não tiram o imenso saldo negativo construído por Dilma no início do segundo mandato. Após fazer uma campanha totalmente voltada para a esquerda, de cunho progressista, a presidente transmitiu a sensação de que rasgou o plano de governo e quis agradar os 51 milhões de eleitores que votaram em Aécio. As declarações e a medida pontual anunciada mostram disposição de viabilizar pontes de negociação com os eleitores e movimentos sociais que a elegeram. Menos mal. Mas a confiança só terá chance de ser reconstruída com medidas e atitudes pessoais mais concretas e por um tempo mais longo.

Ninguém aqui será ingênuo de imaginar que a pressão vai diminuir. Pelo contrário. Alguns setores da oposição (leia-se parte do PSDB) querem porque querem abreviar o mandato de Dilma. Como se o Brasil não resistisse por quatro anos a um governo impopular. Um gesto de de quem não confia no fortalecimento das instituições.

Detalhe: Sarney foi defenestrado em boa parte dos seus cinco anos de mandato, mas completou o período designado pela Constituição. O segundo mandato de FHC foi um desastre sob todos os aspectos, mas ele cumpriu do primeiro ao último dia. Detalhe:  o presidente ficou de inquilino no Planalto mesmo com as acusações que pairavam sobre a compra de votos para a reeleição.

Dilma mostrou disposição de verem cumpridas as regras do jogo.  Vejamos se foi apenas um espasmo ou se tenacidade para a luta será constante.

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