Dilma quer formar Conselhão. Não deveria chamar Cristãos Evangélicos. Não temos nada a acrescentar

0
47

São 19h e 15 minutos de quarta-feira e ainda não temos conhecimento dos integrantes do Conselhão, o fórum definido pela presidenta Dilma Roussef para buscar propostas para o país. Um mosaico de diversos representantes da sociedade civil e que podem representar um arejamento de ideias, sejam elas a esquerda ou a direita. Deveria conceber a expectativa de conhecer ideias e projetos de pastores evangélicos e de seus frequentadores. Melhor evitar.

Convenhamos: o disco está riscado e empenado. Seja no pátio da igreja, no templo, na casa ou no ambiente social, não há variação de assunto. Não há mudança de visão. Se não criticam o PT, Dilma e Lula, o canhão dos Evangélicos está virado aos homossexuais; se estes alvos saem do horizonte, tudo fica em torno da expansão de denominações ou frases feitas e versículos decorados.

Vivemos tempos dramáticos na questão ambiental. Nunca vi ou frequentei uma roda de papo com Evangélicos que este fosse o tema principal. Pessoas têm dificuldades para utilizarem o transporte nas grandes cidades. Nunca, jamais presenciei qualquer troca de ideias sobre mobilidade urbana ou como o carro do irmão poderia ser utilizado como transporte solidário. Pior: já vi pastor com recomendação de que homens não dessem caronas a mulheres, nem que fossem idosas. Lamentável.

Mulheres ganham 30% a menos do que homens. Negros ficam abaixo dos brancos na distribuição da renda. Tais temas ficam colocados debaixo do tapete.

Você rebate e diz que a igreja é lugar para cultuar a Deus. Sim. Verdade. Durante o culto não há negociação. E depois? Quem se dispõe a ir além, buscar informações, ultrapassar limites, discutir temas e assuntos além do trivial e do banal? Poucos. Quase ninguém.

Talvez seja mais confortável um casal com filhos desfilar com suas crias pelo pátio ao invés de refletir sobre as 7,2 milhões de pessoas que passam fome no Brasil. Inclusive crianças. Solteiros preferem aguçar o seu xaveco ou aplicar sua Evangelização automatizada, sem sentimento. Familias inteiras  posam com fotos felizes e desprezam a violência doméstica, a fome, os maus tratos contra idosos e outras chagas brasileiras. Inacreditável, Deus opera. Apesar de nossa indigência intelectual. 

Tudo acontece por um motivo: nós, Cristãos Evangélicos Brasileiros gostamos e queremos ser alienados, medíocres, manipulados, limitados. É uma zona de conforto. Militância, engajamento ou pura reflexão dá trabalho, mostra a cara. Existem exceções? Correto. Mesmo assim, não deveriam ser chamados. Tem méritos, mas não representam o pensamento da maioria, infelizmente tacanha, preconceituosa e voltada a perseguição e instigação da violência, mesmo que verbal.

Repito: ainda não saiu a listagem do Conselhão. Se tivermos nomes influentes da Seara Evangélica vou me decepcionar. Eu, se estivesse no Palácio do Planalto, não chamaria ninguém. Motivo: não temos nada a acrescentar. Prova? Espere o culto do próximo domingo.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here