Dilma, Alckmin e o ódio seletivo da classe média paulista

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O Datafolha divulgou duas pesquisas sobre popularidade no final de semana. Uma detecta que Dilma Roussef caiu oito pontos percentuais. Em outra mostra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin exibe quadro estável e bem situado no tabuleiro eleitoral, mesmo com a presença virtual de Lula como candidato.

Fico espantado em observar a reação das pessoas que se dizem componentes da classe média. Em um primeiro momento, a sensação é de alivio pela queda de Dilma. É como se de repente existisse a sensação de estar próximo de livrar-se de um pesadelo. Quanto a Alckmin? Nenhuma palavra, nenhuma reação. Mesmo com a crise instalada na segurança pública de São Paulo. Crise esta que se não for encontrada nos números, está na transmissão da sensação de insegurança nas ruas.

Porque tal fenômeno acontece? Simples: no Brasil, infelizmente não existe capacidade do cidadão comum em discutir e entender política de maneira profunda. Fruto, lógico dos 21 anos de ditadura militar que reinaram no Brasil e que exterminou toda uma geração de políticos, além de cercearem os movimentos sociais. Estamos vivendo a adolescência política no país. E o que acontece? O que vimos somos frases clichês sejam daqueles que odeiam Lula ou que desejam patrocinar a volta do PSDB. Não existe conteúdo ou apresentação de propostas.

Termos como “petralhas” e “Pago meus impostos e tenho direito a tudo do bom e do melhor”, são expressões do mais puro individualismo e que automaticamente geram um debate superficial, tosco e que colabora para travar uma discussão sobre desenvolvimento. Ninguém deseja verificar se Dilma tem algum valor. Ela é do PT, não presta e pronto, independente do que acontecer. Como é impressionante o fato do PSDB encontrar-se há 18 anos no poder em São Paulo, denúncias de corrupção terem sido divulgadas e nem assim é registrado qualquer tipo de comoção. E tenha coragem de declarar seu voto para o PT que o pesadelo ganha cores vivas.

Quer saber? Diante da atual miséria intelectual reinante entre nós, o quadro só tende a piorar. Dilma poderá perder a eleição de 2014 mas a cada dia sinto que será na base da sensação: ah, nem quero saber o que o candidato pensa, se for no lugar do PT está ótimo. Uma parte da classe média está cega pela ódio. Triste.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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