Diálogo: o único caminho para aprimorar a Igreja Cristã Evangélica Brasileira em 2016

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Terminei a leitura de “Como Conversar com um Fascista- Reflexões sobre o cotidiano autoritário brasileiro”, de autoria da filósofa Márcia Tiburi. Livro fundamental. Não só para entender os tempos políticos que vivemos, com o imperativo do ódio e do ressentimento, como para compreender o comportamento da sociedade brasileira em seus segmentos. Fechado em seu mundo, preso aos seus conceitos, fechado ao novo e defensor de discurso contra minorias, este perfil de índivíduo social só tem um remédio para combatê-lo e abrir seus olhos: o diálogo. Duro, difícil, trabalhoso, mas é, antes de tudo, um ato de resistência, como assinala a própria autora.

Pego este conceito aprendido na obra e transporto ao Cristianismo praticado no Brasil. Chego a conclusão de que o diálogo é o caminho para transformar a pregação da palavra de Deus em algo leve, inclusivo, positivo e que traga transformações efetivas na sociedade e dentro da própria Igreja Cristã Evangélica Brasileira.

Folheie a Bíblia e veja que Jesus Cristo, no exercício do seu ministério, era um praticante obsessivo do diálogo. Não tinha pudor em conversar e trocar ideias com nichos díspares , de ouvir as aflições e conflitos dos semelhantes e de trocar ideias com seus discípulos. Não era um chefe. Era um mestre e um líder na acepção da palavra. Suas parábolas, pregações e mensagens estavam inseridas na prática do diálogo. Jesus Cristo convencia com argumentos, nunca com opressão.

O que vemos hoje? As Igrejas Cristãs Evangélicas no Brasil não praticam o diálogo. Não conversam. Não escutam. Só querem determinar e impor. Estas instituições não sabem lidar com o diferente, o exótico, a surpresa, características inerentes a qualquer sociedade diversificada como a Brasileira. Pior: fazem vistas grossas a tumores presentes no nosso cotidiano como o machismo, preconceito a homossexuais, desprezo aos pobres, entre outros atributos nada positivos.

O pastor, o obreiro ou o responsável, salvo exceções, são personagens sem paciência para acolher e entender os dramas, sentimentos e características pessoais contidas em pessoas criadas em ambientes e com histórias diferentes. Tudo é imposto, determinado e ordenado. Não existe convencimento e o ensinamento de que o caminho proposto por Cristo é o adequado. A aposta é na estratégia do medo e do ressentimento.

Por que a resistência? Simples: O diálogo requer preparo, paciência, argumentos, sentimento, carinho, solidariedade e amor ao próximo, boa parte ausentes das igrejas Cristãs Evangélicas Brasileiras, presas a um sistema de hierarquia e submissão que limite e trava horizontes.

Temos milhões e milhões de desigrejados no Brasil. Pelo PNAD e IBGE são 11 milhões de 42 milhões. Muitos do que estão inseridos nas denominações também mostram-se insatisfeitos com os rumos da igreja Cristã Evangélica Brasileira. Não aguentam o sistema feudal e imperialista de alguns pastores. Não suportam a insensibilidade social em que viagens de irmãos ao exterior tem maior valor do que trabalhos sociais feitos anonimamente. Esses “rebeldes” não se conformam com a limitação intelectual e a falta de conectividade global reinante nos bancos e nas lideranças.

Sinto informar que não será com violência ou truculência que o quadro será alterado. A única saída é o diálogo. Conversar, expor pensamentos, enumerar fatos, recomendar leituras, apontar líderes coerentes e lúcidos e resistir por intermédio da liberdade de pensamento. Vai demorar para algo mudar? Sim. Só que é a única saída para uma mudança perene e próximo daquilo que defendia e fazia Jesus Cristo em seu ministério. É hora de arregaçar. Antes que não tenha mais cura.

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