Debate na Band: queremos discutir o país em 40 dias. Não dá…

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Nas redes sociais e nas ruas o debate de terça na Rede Bandeirantes está na boca do povo. Cada um puxa sardinha para o seu lado. Uns consideram que Dilma não foi afetada pelos ataques dos adversários e outros pensam que Aécio Neves transmitiu o seu recado. Para os marinistas, as respostas serenas e cheia de doçura da candidata do PSB não poderia vir em melhor hora. Ou as perguntas e respostas imprevisíveis de Eduardo Jorge, do PV, foram responsáveis em cativar alguns corações e mentes desolados pela falta de opção.

Tudo mundo fala, conversa, dá palpite e defende seu candidato com ardor. Talvez neste cenário que esteja embutido o principal problema: a paixão pela política existe apenas por 40 dias ou por quase dois meses, se acontecer segundo turno.

No restante, nossa postura é diferente. Consideramos política algo marginal, suja e que não interfere na nossa vida, quando é justamente o contrário. Pensamos que Conselhos Municipais de Saúde ou de Educação são bolivarianos, quando são instrumentos legítimos de mobilização da sociedade. Uma participação mais efetiva da sociedade certamente faria com que o país fosse melhor.

Queremos utilizar a Associação de Bairro para tomar uma birita no final de semana, mas esquecemos que tal entidade é um caminho viável para melhorar o nosso bairro. Nos recusamos a encarar a igreja, seja Católica ou Evangélica como um espaço para o debate a troca de ideias. Queremos e gostamos de fazer parte de massa de manobra quando somos vítimas de líderes religiosos inescrupulosos. Para não dizer que falo sem embasamento, basta relembrar a bela iniciativa do pastor Ed Renê Kivitz da Igreja Batista da Água Branca, que uma vez por mês promove debates, encontros e seminários com temas da atualidade antenados com a bíblia. Por que outros não fazem o mesmo?

Resultado da omissão: nos anos subsequentes as eleições, a cada medida anunciada pelo governo, a primeira medida que é de nosso desagravo é xingar o governo federal de plantão. Nunca, jamais pensamos se a decisão tomada pelo governante pode beneficiar muitas pessoas. Balela. Queremos cuidar apenas do nosso e dane-se o resto. Nada de discussão e reflexão.

Se todo o cenário descrito nas últimas linhas fosse apagado por uma militância política mais ativa no dia a dia o quadro seria diferente. Sim, por que discutiríamos e acompanharíamos o que cada governante estaria fazendo de bem ao nosso país e o papo de corrupção continuaria importante, mas não seria o mote principal para um ódio cego, ressentido direcionado a determinado partido e que é desprovido de ideias em benefício do páis.

Em resumo: se o povo brasileiro fizesse a sua parte e encarnasse a política no dia a dia como algo benéfico e o debate de ideias como um procedimento rotineiro, certamente os protestos de junho do ano passado não seriam necessários e a vida dos três candidatos favoritos seria bem dura. Querer discutir, criticar, avaliar e julgar tudo que aconteceu nos últimos quatro anos em 40 dias é pedir para tomar uma decisão de voto superficial, sem consistência e com consequências imprevisíveis. Independentemente de quem seja o vencedor.

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