Datafolha diz que 49% do eleitorado brasileiro é conservador. Qual a novidade?

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Nos últimos anos, o Partido dos Trabalhadores tem sido acusado (em várias oportunidades com razão, diga-se) de abrigar políticos autores de diversos atos nada lisonjeiros e que isso constituiria uma traição ao perfil do partido quando estava na oposição, que primava pela defesa intransigente da ética.

Outra acusação era de que em nome da governabilidade, o PT transformou-se em um partido de centro-esquerda e com isso feriu suas bases programáticas. Mas uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo instituto Datafolha exibe de modo cabal a seguinte realidade: sem esta inflexão ideológica o PT jamais teria vencido as últimas três eleições e agradado o eleitor médio brasileiro.Pelo levantamento, 49% da população tem inclinação ideológica ou para a centro-direita ou para a direita. Já os esquerdistas são 30% da população, de acordo com a pesquisa. O eleitorado de centro encontra-se em 22%.

Apesar dos entrevistados afirmarem que a questão ideológica não tem peso decisivo na hora do voto, é inegável que o PT precisou realizar algumas concessões e mudanças na sua orientação programática para atrair especialmente o eleitor de centro e até de centro-direita. A dupla Lula-Dilma ganhou as últimas eleições embalada pelo bons resultados da economia, índices aceitáveis de desemprego e percentuais de crescimento do PIB que ajudaram na melhoria do crescimento da massa salarial. É um pacote progressista? Pode até ser.

Mas também é verdade que em todas as vitórias, o PT relutou e até se negou a mexer em assuntos considerados tabus na sociedade brasileira como a questão do aborto, perseguições contra minorias e a discussão sobre o combate ou descriminalização das drogas. Claro, existem secretarias federais voltadas para negros e mulheres, o que é louvável. Mas durante a campanha eleitoral, pastores e líderes religiosos colocam-se contra os homossexuais e a postura do PT é, na melhor das hipóteses, de apatia.

Não quer tocar no vespeiro. No fundo, sabe que muitos pensam como Silas Malafaia e outros menos cotados. E essas pessoas votam. Em resumo: não há perspectiva de mudança. Realizar concessão de valores, para os partidos de esquerda, virou norma para chegar ao poder.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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