Daniel Alves fez a sua parte. Mas a repugnante “luta festiva” contra o racismo prevaleceu

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O Brasil é um país estranho, esquisito. Em dado momento você fica feliz por ser brasileiro e ter ao lado uma pessoa como o lateral-direito Daniel Alves, lateral-direito do Barcelona. Durante uma partida contra o Villareal, ele pega uma banana e ao invés de entregar para a arbitragem como um ato de protesto, come a bendita fruta e dá um tapa na cara do racismo, como nunca tinha sido dado antes.

Você espera a sociedade brasileira ficar ao lado de Daniel Alves. Isso acontece, mas o desdobramento é imprevisível: um jogador de futebol, esperança na Copa do Mundo, orientado por uma empresa de publicidade, espalha na internet uma frase viral contra o racismo. É legal? É. Mas também é uma prova de que mesmo os milhões ganhos por este atleta foram incapazes de lhe fornecer algo fundamental para uma vida de cidadania: espirito crítico, independência e capacidade de reflexão. Você pode alegar que não se pode exigir isso de um garoto de 22 anos. Bem, se formos por esse caminho, só podem prestar o vestibular da Unicamp, conhecido por sua exigência de reflexão,  jovens acima de 25 anos.

Para completar, um apresentador de televisão utiliza a sua grife para vender camisetas alusivas ao gesto do jogador do Barcelona. Considera uma ajuda na luta contra o Racismo. Não é.

De um modo torto, esses e outros personagens transformaram o ato elogiável de Daniel Alves em algo lúdico, festivo. Perceba: nenhuma celebridade que agora pega carona com Daniel Alves fala em cotas para negros nas universidades, serviços públicos ou qualquer outra forma de reparação. Sem contar a luta contra a homofobia…

A bandeira contra o racismo virou um evento festivo, de celebração quando deveria ser uma luta social para envolver todo o país e levar uma reflexão e mudança de postura. Daniel Alves, de boa: perdoai essas figuras. Elas não sabem o que fazem.

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