Cristãos Evangélicos: hora de posicionamento, de ouvir Cristo e quem vale a pena

0
14

O Brasil vive um período único em sua história. Não faço parte dos pessimistas em relação a apresentação do pedido de impedimento da presidenta Dilma Roussef. Mesmo com seu mandato sendo péssimo e decepcionante, o motivo alegado, o das pedaladas fiscais, é manco. Aprovação da mudança fiscal no Congresso concedeu argumento para Dilma, de acordo com juristas renomados.

Este período será didático. Quem optar por apoiar a queda e o encaminhamento de Eduardo Cunha, fatalmente autorizará a bandalheira e estará ao lado de alguém desmoralizado e denunciado. Pior: o seu discurso moral contra Dilma Roussef perderá força.

Todos os movimentos sociais e qualquer espectro da sociedade aproveitarão para fazer a depuração. As igrejas Cristãs Evangélicas brasileiras não podem perder o bonde da história. Está na hora de separar o joio do trigo. Pedir consciência política e discernimento para detectar quem aplaude a honestidade e a retidão e quem abraça o ódio e o vale tudo pelo poder.

Os Cristãos Evangélicos brasileiros têm diante de si a rara oportunidade de valorizar e prestar atenção em pastores e líderes antenados com a Palavra de Jesus Cristo e nunca com a Teologia da Prosperidade ou metodologias que trazem atraso e manipulação.

Passou da hora de quem é cidadão, temente a Deus e que não deseja ver seu nome maculado dirigir-se às ruas e dizer que Eduardo Cunha e seus aliados não representam os Cristãos Evangélicos do Brasil.

Sem ficar em cima do muro

É hora de valorizar palavras como a do pastor Ricardo Gondim, da Assembléia de Deus Betesda, em São Paulo. Mesmo sem nutrir nenhuma simpatia por Dilma Roussef, o pastor deixou clara sua objeção pela jogada do presidente da Câmara dos Deputados.”Estamos em maus lençóis… de um jeito ou de outro. Esse Congresso é uma vergonha galáctica”, escreveu em sua conta particular no Twitter.

Nós, enquanto Cristãos, devemos defender gente como o deputado tucano (sim, tucano!) Carlos Alberto Bezerra Junior, uma das únicas vozes sensatas no Estado de São Paulo com desejo de debater e negociar uma saída pacífica para a ocupação nas Escolas Públicas que serão vítimas da reorganização patrocinada por Geraldo Alckmin. “Torço para que o entendimento seja o resultado da audiência pública marcada pelo governo de SP, para a próxima quarta-feira (09/12), para debater a reorganização nas escolas do estado. Que o encontro sirva para unificar os interesses pela melhoria da qualidade na educação. A discussão agora está no fórum correto. Educação sendo discutida por educadores, alunos e governo. Sem qualquer possibilidade de truculência ou excessos, porque a segurança que se quer neste momento é de uma educação melhor”, escreveu o parlamentar em sua conta no Instagram.

Pessoas como Ariovaldo Ramos e Ed Renê Kivitz não podem ser sugadas pelo ostracismo. Suas palavras devem ser espalhadas e firmadas como referência para Cristãos cidadãos, conscientes da desigualdade de renda reinante no Brasil e o esforço feito por parte deles para deixar a igreja brasileira mais inclusiva, amorosa, sem preconceitos e capaz de interceder na vida da nação.

Cidadania na veia

Não deixe de ler qualquer texto do pastor Antonio Carlos Costa, presidente da ONG Rio de Paz e um dos primeiros a se levantarem contra o assassinato de cinco jovens negros no subúrbio do Rio de Janeiro. Mesmo sem dizer qual o seu lado nesta disputa que pode definir os rumos do Brasil, ele não deixou de propagar o seu precioso conceito de cidadania. “Socorra o pobre, faça trabalho voluntário, semeie concórdia, proteste nas ruas, não aceite violação dos direitos humanos na sua cidade, leia jornal, denuncie a mentira, promova a verdade, assine petição, ajude a manter a ordem pública, acate as decisões tomadas em lei, remunere com justiça sua empregada doméstica, seja gentil com o garçom que o serve, não pague propina, não financie a compra de armas e munição por parte de facções criminosas, mostre que você ama a humanidade amando sua família, exerça sua profissão com excelência”, escreveu o líder Evangélico. .

Os ventos sombrios de Brasília são uma oportunidade vital para que dentro do espectro evangelico vozes minoritárias sensatas e com preocupação social sejam ouvidas. Vozes que buscam e anseiam pela salvação em Jesus Cristo mas que se contorcem de dores pela desigualdade de renda, ausência de educação e saúde, assassinato de crianças e adolescentes na periferia entre outros flagelos. Gente que entende que, mais do que a corrupção, vale lutar contra o destino cruel do país, a de contar com poucos ricos e muitos pobres.

 

Batalha Interna

Nos últimos anos, a Palavra de Deus teve como próprio impedimento os seus propagadores. Figuras envolvidas pela sede de poder e o destempero na busca em perseguir minorias, adeptos de partidos progressistas e todo tipo de pessoa que não se enquadra no “modelo ideal” sonhado por fundamentalistas vazios ou pastores e líderes que consideram que uma dúzia de visitas a lugares pobres ou enfurmar-se dentro da bíblia sagrada são requisitos suficientes para exercer a cidadania e construir uma sociedade justa.

A Igreja Cristã Evangélica Brasileira dispõe de pastores e frequentadores que choram pelos desassistidos. Estas pessoas, essenciais para o Evangelho e ao país, não propagam mais sua palavra porque estão sufocadas pelo ódio propagado por uma minoria que quer convencer de sua hegemonia. Eles devem e precisam serem enquadrados. Com isso, o perfume de Cristo ser exalado. Não só dentro das paredes eclesiásticas aos domingos.

A salvação do posto de Dilma Roussef provocou uma mobilização na sociedade. Que a Igreja Cristã Evangélica aproveite para valorizar e ouvir quem merece. Chega da Bíblia Sagrada ser utilizada como chancela para guerra e ressentimento. Que homens e mulheres de bem presentes no Cristianismo Evangélico brasileiro não desperdicem esta chance única. Para a Igreja e o Brasil.

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here