Copa do Mundo, Olimpiada e Crise no Guarani: as próximas vitimas do jornalismo esportivo de entretenimento?

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Devo confessar que preocupo-me com o futuro do jornalismo esportivo. Especialmente por causa da visão de boa parte da nova geração. O entretenimento invadiu definitivamente o conceito daquilo que se considera como a prática do oficio. Com isso, parece que todos ganham salvo conduto para assumir o time que torcem ou mostram predileções que não são adequadas.

Digo isso ao verificar a forma como são abordados três temas considerados áridos: o andamento dos preparativos para a Copa, as denúncias no ministério dos Esportes e a crise político e administrativa no Guarani. São temas que requer estudo, dedicação para descobrir as suas entranhas e principalmente disposição para um fato desagradável: pouca gente quer acompanhar. Pior: os jornalistas parece que as vezes concordam com o torcedor e seguem o mesmo caminho.

Seria o mesmo que o médico tivesse a necessidade de transmitir um diagnóstico de doença grave a um parente e resolve esquecer o assunto em nome dos laços de sangue. Infelizmente é isso que acontece.

Bilhões de reais serão gastos para os dois eventos de grande porte. É dinheiro meu, seu e de todo mundo. Mas parece que só temos animo para o lado divertido do esporte. Que é vital, lógico e essencial para manter o interesse aceso. O poder fiscalizatório do jornalista, no entanto, não podem ficar em segundo plano.

Infelizmente, o conceito macabro é estendido em âmbito local. Já ouvi muito torcedor nas ruas dizer que Leonel Martins de Oliveira  realmente pisou na bola, mas ficar em cima disso é perda de tempo; tem que abordar a chamada “bola rolando” e fim de papo. Esclarecimento: é obvio que o presidente bugrino merece todo e qualquer amplo direito de defesa. Só que também é verdade que desde 2006, o time bugrino adota o passo de caranguejo enquanto clubes do seu patamar e tamanho já tomaram providências na selva do futebol. Exemplos: Avaí, Bragantino, Náutico…clubes sem a mesma projeção bugrina e que não tem o mesmo alcance. O time catarinense por exemplo pode até cair de divisão, mas isso não quer dizer a nulidade de seus trabalhos dos últimos anos.

 E não me venham com a desculpa de que essas equipes não foram vitimadas por gestões incompetentes. Balela. Ninguém está imune. Ninguém.  O que acontece no Guarani tem nome e sobrenome em qualquer lugar do mundo e acontece, no mínimo, há 30 anos: incompetência. E o dever do jornalista é noticiar, apontar falhas e propor caminhos ao debate. Fora disso, é querer transmitir puro entretenimento. Seja em rede nacional ou apenas na região Metropolitana de Campinas.

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