Carta Aberta ao Técnico Tarcísio Pugliese

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Caro Tarcísio Pugliese:

 

Gosto de técnicos estudiosos. Você faz parte do clube. É esforçado, dedicado ao ofício, trabalhador, honesto e decente. Sou testemunha de que nos treinamentos você fez o possível e o impossível para extrair o máximo dos seus jogadores.

Treinamentos táticos, técnicos, de posicionamento, ensaio de bola parada…o cardápio era variado. Coletivos eram raros, especialmente porque sua obsessão em ajudar na modernização do futebol brasileiro passa pelos treinamentos do dia a dia.

No primeiro turno, todo esse esforço foi premiado com uma bela campanha na Série C do Campeonato Brasileiro. Somou 19 pontos e colocou-se como um dos favoritos ao acesso. Com poucos recursos. Sem dinheiro.

Pois é. Mas Tarcísio, como todo e qualquer ser humano, você está submetido por vezes a imprevistos que tiram qualquer um do prumo. O segundo turno da Série C provou isso. Somou cinco pontos, perdeu a classificação e toda a estrutura construída ao longo do ano desmoronou com um castelo de areia.

Eu acompanhei sua perplexidade nas entrevistas coletivas sobre a queda de produção. Não entendia ou vislumbrava os motivos. Meu estimado Tarcísio, como é moda entre os jovens, vou realizar um “papo reto” contigo. O time caiu de produção porque caiu o poder de marcação do meio-campo, especialmente após a lesão de Wellington Simião. Sinto muito, sei que você tem o maior respeito por Fernandinho e Fumagalli, mas eles não deveriam permanecer entre os titulares. Não tinham fôlego para executar a marcação pedida. Foi um erro fatal e que proporcionou o aparecimento das limitações da zaga formada por Paulão e Júlio César. Tarcísio, tens total direito de discordar. Mas que foi isso que aconteceu, disso não tenho dúvida.

Tarcísio, ninguém pode lhe acusar de falta de iniciativa para buscar uma solução. Mesmo que suas decisões fossem equivocadas. Agora, se você me permite, quero dizer algo a você: é inadmissível você achar natural aquilo pelo qual passou no sábado á noite, no jogo contra o CRAC (GO). Ao entrar para o aquecimento com junto com os atletas, dois torcedores resolveram lhe insultar de modo incessante. Um deles chegou até a gritar: “Eu não vim aqui assistir ao jogo, eu estou aqui para lhe xingar”. Tarcísio, cá entre nós: você acha que merecia passar por essa?

O que dizer então da entrevista coletiva interrompida porque um torcedor insano que lhe insultava no lado externo da sala de imprensa? Isso é desumano. Humilhante. Ninguém merece passar por ato tão constrangedor.

Tarcísio, não escondo de ninguém: após a derrota para o Betim defendi a sua saída por entender que a equipe teria que tentar um choque, uma última cartada na reta final, especialmente porque sentia que os atletas não assimilavam suas instruções.

Após os dois jogos, minha opinião não mudou, mas ganhou novos argumentos. Tarcísio, você é pai de família, tem amigos, parentes e gente que lhe ama. Gente que gosta de você por aquilo que você é. Não vão deixar de gostar de você deixar de ser técnico do Guarani, Coritiba, Atlético Paranaense, Fortaleza, Santa Cruz ou qualquer outro clube do futebol brasileiro. Sabem da sua luta, do seu talento, da sua capacidade.

Essas pessoas merecem o encerramento do seu ciclo no Guarani. Para que você viva em paz. Para elas conviverem com você em paz, sem medo de estarem ao seu lado e assistirem insultos e xingamentos contra você em locais públicos.

Tarcísio, eu amo futebol, mas aprendi que a vida, a família e os amigos valem muito mais do que a bola disputada por 90 minutos em qualquer campo do Brasil. Pense nisso. Um abraço. (foto: Matheus Reche)

 

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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