Carlos Heitor Cony ensina em 1964 o que devemos aprender em 2015

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A construção se faz pela visita a história. Os erros são evitados ao pesquisarmos o que nossos antepassados decidiram em conjunturas parecidas. Não é um lançamento, mas um livro que serve de guia nos tempos atuais é “O ato e o Fato- O som e a fúria do que se viu no Golpe de 1964”, de autoria de Carlos Heitor Cony e da editora Nova Fronteira.

Atualmente colunista da “Folha de S. Paulo”, Cony era em meados da década de 1960 um dos articulistas mais prestigiados no “Correio da Manhã”, jornal de pendência conservadora, sediado no Rio de Janeiro e que apoiou de modo entusiasmado o golpe detonado pelos militares em 1964.

Com o passar dos dias, as medidas tomadas pelo então Marechal Humberto Castelo Branco começaram a deixar perplexos aqueles que acreditavam em eleições presidenciais em 1965. Neste contexto, Cony é impecável. Em seus textos, existe a denúncia da obtusidade e a limitação intelectual dos generais, as medidas de exceção adotadas contra políticos e jornalistas e a descrição de um embate nos tribunais contra o então Ministro da Gerra, Artur da Costa e Silva, que mais tarde tornaria-se presidente.

A saga dos exilados e daqueles até que não conseguiam emprego por suas ligações com o campo de esquerda estão registrados. Qualquer semelhança com os dias atuais não é mera coincidência…

Sem cerimônias e em linguagem elegante, mesmo em tempos obscuros, Cony transmitia a mensagem de que nada é mais importante do que a convivência com os diferentes, o espaço democrático e a circulação de ideias. Tanto que utilizou seu espaço para lamentar a perda de relevância de Carlos Lacerda, no qual não concordava com suas ideias, mas admitia que representavam um nicho da sociedade.

Sua trajetória no “Correio da Manhã” foi interrompida após divulgar uma crônica em que ironizava o Ato Institucional Número 02, cujo teor era denunciar a fissura dos militares em estreitar as ligações dos Estados Unidos. Pediu demissão e foi acompanhado pelo redator chefe, Antonio Callado.

Ao ler as 220 páginas da obra você tem uma aula de história e faz a seguinte pergunta: como alguns têm coragem de defender a volta dos militares ao poder? A cidadania liberta. Cony é a comprovação.

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