Campinas perde relevância na política nacional. E ninguém enxerga…

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A decadência não surge de modo abrupto. Ela é manifesta no dia a dia, em pequenas ações e fatos ora determinantes, em outros inúteis. É um fenômeno que acontece com países, cidades, jogadores de futebol, clubes e celebridades de qualquer quilate. O pior é ser uma doença silenciosa, devastadora e que bloqueia qualquer tipo de reação. Ás vezes é duro constatar tal fenômeno com instrumentos que estão  a nossa volta. É preciso encarar o problema de frente e buscar soluções para viabilizar um retorno, na pior das hipóteses, digno. Faço todo esse preâmbulo para falar da cidade em que nasci. Esqueçam a Unicamp, Puc-Campinas, os centros de tecnologia, o alto poderio financeiro. A verdade é nua e crua: Campinas perdeu  relevância substancial no cenário nacional.

Vou citar nos próximos dois artigos deste blog os dois setores em que acompanho com maior detalhamento. Na Politica, não passamos de uma metrópole periférica, com políticos de escalão intermediário e sem força no debate nacional. Faça um esforço de memória e recorde um político campineiro que tenha uma opinião de peso quando existem assuntos que podem alterar os destinos do país. Não vale relatoria de CPI, criação de novo partido e outros fatos gerados no ambiente artificial de Brasilia. Digo temas como reforma tributária, politica, trabalhista, sindical, carga tributária e temas sempre presentes nos palanques da Câmara e do Senado. Você lembra? Não perca seu tempo. Apesar da responsabilidade de representar uma cidade de 1,1 milhão de habitantes, o máximo que nossos políticos conseguem é espaço nas mídias regionais. As posições, no entanto, não ecoam e ficam apenas sob nossos ouvidos. E sinto muito, não me venham com a história de que ser uma cidade interiorana prejudica o protagonismo. Queiramos ou não, Orestes Quércia fez sua vida em Campinas e tinha peso no debate nacional. Assim como Magalhães, Jacó Bittar e Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT. Dou outro exemplo recente: por seu trabalho na militância estudantil, Gustavo Petta alcançou a presidência da UNE e hoje ocupa cargo na administração municipal. Pergunta: qual líder estudantil de projeção na cidade? Respondo: infelizmente nenhum.

Mudar nomes ou votar melhor não é solução. Passa antes de tudo por mudança de mentalidade coletiva da população, que se recusa abrir sua mente aos dados, informações e comportamentos gerados no Brasil e no mundo. Estamos presos a uma ideologia provinciana, tacanha, limitada e cujo destino será o aprofundamento da mediocridade? Existe solução? Não acredito, especialmente porque Campinas, pelo menos na politica, acostumou-se ao papel de estepe. Mucho. É triste, mas é o quadro da cidade em que nasci e me formei.

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