Brasil 2 x 2 Chile: empate em 2013 com treinador parado em 2002

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O que faz um técnico antenado? Não basta conhecimento tático, experiência e títulos na bagagem. O quesito principal é reconhecer as mudanças de cenário e empreender a adaptação necessária. Uma pena, mas este conceito não se enquadra em Luis Felipe Scolari, desatualizado e ainda surpreendido com a modesta equipe chilena durante amistoso na quarta-feira, realizado no Mineirão e que terminou empatado por 2 a 2.

O cenário tático é desolador. De um lado, Ronaldinho Gaúcho centralizado, Jadson no lado direito enquanto que Neymar movimentava-se para abrir espaços ao companheiro Leandro Damião. Mas tudo parecia ser feito na base de improviso, como se nada tivesse sido treinado. Paulinho e Ralf, perdidos em campo, em nada lembravam os jogadores contundentes do Corinthians.

Em contrapartida, Jorge Sampaoli não desperdiçou seu tempo de trabalho. Usou a velocidade de Vargas e Rubio para executar lançamentos longos para pegar desprevenidos os zagueiros Rever e Dedé. Como Jean e André Santos são laterais clássicos, sem ímpeto de apoio nato, o Brasil ficou encurralado e sem saída. O que fez Felipão? Nada. Nem quando Neymar pareceu sem inspiração e com posicionamento inadequado, rotina quebrada apenas no gol de empate de Rever, feito a partir de cruzamento da joia santista.

Alterações? Nada que namore uma mudança radical em conceitos de futebol. É atacante por atacante, lateral por lateral e assim o treinador deposita suas esperanças nas surradas técnicas motivacionais.

Nem fiquem iludidos: no lance do segundo gol, o passe de Ronaldinho Gaúcho para Jadson, a assistência para Alexandre Pato e a conclusão mortal de Neymar é fruto muito mais da capacidade individual do jogador brasileiro. Capacidade que apareceu também com Vargas, no gol de empate chileno.

Moral da história: o Brasil pode ser vencedor da Copa das Confederações e a Copa do Mundo, mas será por obra e graça do talento do jogador brasileiro. Que, aliás, ultimamente está longe do ideal. Se depender do conhecimento do treinador, estamos fritos. Infelizmente, a mente de Felipão está em 2002. Muito pouco.

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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