Audax: um retrato de como o “futebol empresa” enfrenta dificuldades no Brasil…

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O Audax será vendido. Controlado pelo grupo Pão de Açucar, o clube responsável pela revelação do volante Paulinho e do meia atacante Vitinho, recentemente vendidos ao futebol do exterior, não desperta o interesse do grupo Casino, atual controlador do grupo. Tem como atrativo ao futuro comprador vagas nas divisões de elite do futebol paulista e carioca. Não deixa de ser um atrativo.

No entanto quero propor um exercício de reflexão ao raro leitor. A venda é justificada porque não teria o perfil do novo controlador da rede de supermercados, voltado ao varejo. Mas se o cenário fosse diferente, a volúpia para vender seria a mesma?

Imagine: o Audax sediado em duas cidades de médio porte de Rio e São Paulo, com médias de público de 10 mil pessoas em seus jogos e com torcedores ávidos em consumir os produtos do grupo Pão de Açucar durante as partidas nos bares e restaurantes instalados no Estádio.

Ao lado disso, pense nos jogadores do clube sendo acompanhados diuturnamente pela mídia esportiva e os patrocinadores com as marcas expostas todos os dias em programas de audiência relevante. Afinal, o Audax apresentaria os sintomas de um clube popular, com audiência e repercussão. Nem que seja em um município longe da capital. Quer mais? Vislumbre ainda o clube com 7 mil sócios torcedores e com arrecadação. Depois da descrição do cenário, a pergunta: se tudo isso fosse realidade, a vontade de vender seria a mesma? Cravo que não.

O problema é que tanto Audax como Red Bull e outros clubes empresas pecam em algo fundamental no Brasil: são clubes construídos e alicerçados na razão e no ganho financeiro e nunca na paixão, o combustível do torcedor de qualquer time. Se o Audax acabar hoje certamente não teremos passeata ou lamentos pelo seu fim. Muito pelo contrário. Diante disso que fique a lição: antes de formar um clube de futebol, pense como ele poderá gerar paixões intactas. É o correto? Não sei. Mas é assim que funciona o futebol brasileiro.

 

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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