Até que ponto a abstenção poderá influir no resultado da eleição presidencial?

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Com as tremendas reviravoltas ocorridas no processo eleitoral, analistas respeitáveis consideram que a virada da presidenta Dilma Roussef deve ser analisada com cautela em virtude de que existe ainda o fantasma da abstenção. Ou seja, o eleitor declara que votará em determinado candidato e não aparece, um fenômeno presente especialmente nas zonas rurais e com dificuldade de transporte. Neste momento, seria de bom grado consultar as eleições passadas para verificar até que ponto a abstenção interferiu no resultado final.

Para isso, tomei a seguinte decisão: consultei no acervo do jornal Folha de São Paulo a pesquisa do Datafolha publicada no dia do segundo turno nas eleições de 2002, 2006 e 2010. Posteriormente, apurei o resultado da urna e o índice de abstenção.  Detalhe: sei que a eleição deste ano tem uma característica por ser mais acirrada e disputada. Mesmo assim, é de bom tom fazer uma revisão histórica.

Em 2002, no dia da votação, o Datafolha publicou que Lula seria eleito com 64% dos votos válidos enquanto que José Serra ficaria com 36%. Após a apuração, Lula venceu com 61,27% dos votos válidos (quase 3% a menos) e Serra ficou com 38,72%. A abstenção ficou em 20% dos eleitores.

Quando disputou a reeleição, em 2006, Lula chegou no dia da votação, segundo o Datafolha, com 61% dos votos válidos enquanto Geraldo Alckmin ficaria com 39% dos votos. Quando as urnas foram abertas, mesmo com a abstenção de 19% dos votantes, Lula ficou com 60,83% dos votos válidos e Alckmin ficou com 39, 17%. Ou seja, o Datafolha da véspera ficou muito próximo do resultado final.

Na primeira vitória de Dilma, o próprio Datafolha cravou que a ex-ministra da Casa Civil seria eleita com 55% dos votos válidos enquanto que José Serra terminar com 45% dos votos. Após a apuração, mesmo com abstenção de 21,50%, Dilma terminou com 56,05% dos votos e Serra terminou com 43,95%, novamente um placar próximo daquele apurado pela pesquisa.

Ou seja, nas três eleições presidenciais realizadas neste século e que tiveram segundo turno, somente a vitória de Lula em 2002 não foi captada com precisão pelo Datafolha em relação aquilo que aconteceu na urna. Em resumo: abstenção pode sim interferir no resultado final da votação e pode até beneficiar Aécio Neves, mas a tradição por enquanto caminha em direção contrária.

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