As tribos da imprensa brasileira

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Autor: Bruno Lima Rocha

As duas últimas edições da boa revista
Carta Capital (dirigida pelo jornalista Mino Carta) apresentam em suas capas um
tema urgente da mídia e política brasileira.Trata-se da acusação (e de ser
acusado) da alcunha de “chapa branca”, ou de jornalismo oficial.

Isto se dá quando a linha editorial
termina por representar também os interesses e alinhamentos junto ao governo de
turno ou as estruturas da pirâmide social. A partir da posse de Luiz Inácio,
dois blocos midiáticos tornaram-se rivais.

Os jornalistas e empresas simpáticas
ao governo de centro-esquerda cunharam o termo de PIG. Esta é uma sigla
pejorativa, derivada do inglês “porco”, significando o Partido da Imprensa
Golpista.

Segundo os rivais, estes seriam os
grupos majoritários da mídia brasileira, alinhados com o Instituto Millenium,
organizados nas associações patronais das distintas plataformas midiáticas
(radiodifusão, jornais e revistas).

Já o outro grupo, mais carente em
homogeneidade do que oprimeiro, também poderia ser chamado de PIG2, ou o
Partido da Imprensa Governista. Isto porque, embora teçam críticas pontuais aos
mandatos da atual presidenta e do ex-presidente, termina por se alinhar de
forma mais ou menos explícita com as decisões do Planalto.

É curioso notar dois conflitos de
linha política. Nos ajustes macro-econômicos, embora o chamado PIG teça
críticas, o PIG2 e sua proposta de desenvolvimento produtivo estão
contemplados. Redução da taxa de juros, política de pleno emprego, formalização
do mundo do trabalho e acesso ao crédito são demandas históricas de um
capitalismo menos selvagem, hoje praticado no Brasil.

Já o bloco de sustentação do
presidencialismo de “coalizão orçamentária”, tem no PIG2 um adversário. Isto
porque nas duas casas parlamentares temos uma sobrerepresentação de donos ou
controladores de mídia. Embora a lei não permita, o coronelismo eletrônico se
materializa no controle que políticos profissionais têm na radiodifusão
nacional, reproduzindo em estados e regiões o modelo de rede e cabeça de rede
(network), sendo justamente retransmissores do chamado PIG.

A mídia mais alinhada ao atual governo
vê o mandato ser sustentado por aliados e parceiros econômicos de seus maiores
rivais e concorrentes. Já os grupos majoritários são contemplados nas pastas de
seu interesse, tampouco sendo ameaçados com a regulamentação dos artigos 220 a
224, do Capítulo 5 (Comunicação Social) da Constituição Federal de 1988.

É mais uma contradição da contradição
no país dos absurdos!

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Elias Aredes Junior é jornalista, radicado na cidade de Campinas, Estado de São Paulo. Trabalha como repórter esportivo para o Jornal Todo Dia de Americana e também como comentarista esportivo para a Radio Central AM de Campinas, 870 KHz. Diariamente participa dos comentários na programação esportiva entre as 18:00 e 20:00, além de comentar jogos de futebol nas transmissões ao vivo da emissora. Aqui ele fala sobre tudo, futebol, esporte, política, religião, entretenimento, cultura, culinária, tudo isso sempre com seu olhar crítico e independente.

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