As lições deixadas por Botafogo (SP) e Vila Nova (GO) ao Guarani

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O final de semana deve servir de reflexão para a torcida e dirigentes do Guarani. O Botafogo de Ribeirão Preto está de volta a terceira divisão e o Vila Nova disputará a Série B de 2016. Fatos que poderiam ser enquadradados no ramo da normalidade se não fosse por um detalhe: os treinadores que conduziram as duas campanhas. Na Pantera, o herói chama-se Marcelo Veiga, o mesmo que saiu pela porta do fundo do Alviverde durante a última Série A-2 enquanto que Márcio Fernandes, eleito um dos vilõees na segundona regional do ano passado comemorou o passaporte para o grupo dos Top 40 no Canindé após a vitória por 2 a 1 sobre a Portuguesa e diante de 17 mil pagantes. 

O que aconteceu? Por que esses dois treinadores deram certo agora e fracassaram no Guarani? Válvula de escape é querer dizer que são armadilhas do futebol ou que o acaso auxiliou na obtenção dos milagres. Mentira. Balela. Conversa fiada. Faça uma pesquisa e verá que os dois profissionais enfrentaram situações muito parecidas com as quais viveram no Brinco de Ouro e ainda assim triunfaram.

No Vila Nova, por exemplo, a equipe está envolvida em uma dívida de R$ 80 milhões e ameaçou de se retirar da terceirona devido ao atraso nos salários. “A folha do Vila está 50% atrasada. Atualmente, estamos com 3 mil reais em caixa. A realidade financeira do Vila é essa. Precisamos de dinheiro. (…)A gente não tem medo, nem receio de tentar as alternativas para viabilizar o clube financeiramente falando”, disse no dia 13 de julho o presidente do time goiano Gutemberg Veronez. Ou seja, Márcio Fernandes superou problemas financeiros, de estrutura e conseguiu unir o elenco para o acesso. Por que não aplicou idêntico processo no Guarani?

Marcelo Veiga é outro que deixa vários pontos de interrogação. Quando assumiu o Botafogo, certamente foi avisado que o quadro não era confortável. “Não deixaremos de pagar nossos compromissos assumidos. Vamos honrar com todos eles. Esse processo de contratação, negociação, está em outro fluxo de caixa. Estamos negociando bem, desde a comissão técnica até os jogadores que vão compor o elenco. O Botafogo sempre teve dificuldades financeiras. Não está sendo diferente. E vamos superar também”, declarou o presidente da Pantera Gerson Engracia em maio deste ano. O que aconteceu? Por que Veiga saiu de vilão para herói em menos de cinco meses? Mais: como explicar que o goleiro Neneca, desprezado e criticado no Brinco de Ouro tenha sido a principal figura no empate sem gols contra o Azulão? Por que serviu para o Botafogo e não para o Guarani?

Uma análise prévia das declarações e dos fatos dão algumas pistas. Percebam como as declarações têm a presença de um tom de humildade, de entendimento da situação e que não há chance de fazer nada sem trabalho e dedicação. Apesar de atualmente encontrar-se em quadro melhor do que seus concorrentes na parte financeira, o Guarani pecou na maior parte do ano por uma inexplicável arrogância. De que tudo aconteceria por um passe de mágica, sem esforço, dedicação e que meia dúzia de palavras ditas pela diretoria ou uma meia duzia de passes no gramado seriam suficientes para conseguir a classificação.

Os acessos obtidos por Vila Nova (GO) e Botafogo (SP), ambos fora de casa também demonstram que é preciso ter um espirito competitivo em todas as ocasiões. O Guarani perdeu pontos importantes não só no Brinco de Ouro, mas como visitante em cenários cuja vitória era obrigatória, como diante de Guaratinguetá e Madureira.

Vila Nova e Botafogo alcançaram os acessos por um motivo especial: nunca deixaram de exibir consciência de que disputavam competições inferiores do calendário do futebol brasileiro. Jamais ignoraram as dificuldades. Jamais pensaram que a camisa por si só trinfaria. Ou que títulos e conquistas do passado serviriam como passaporte natural ao triunfo. Ou seja, as duas equipes exibiram humildade na teoria e na prática e colhem os frutos. Que o Guarani reflita e aprenda.

1 COMMENT

  1. Boa tarde, Elias.

    Primeiramente quero dizer-lhe que o admiro e respeito muito os seus comentários, realmente a diretoria bugrina devia se mais humilde, determinadas declarações do nosso presidente não ajudam em nada.

    Acho que muitos jogadores que o Guarani tem contratado nos últimos anos não cairam na real que o Guarani não é mais aquele de outrora e sempre vem com uma expectativa grande, que vão encontrar um clube estruturado, sem problemas administrativos, sem uma cobrança exagerada da torcida, por se tratar de um time que já foi campeão e de tradição no íntimo cada atleta cobra mais da agremiação.

    Mas creio que para a próximo temporada com uma base que ficou da série C e mais alguns reforços e mantendo os salários em dia conseguiremos alcançar os nossos objetivos, ou pelos menos o acesso a A1.

    Um abraço e continue cada vez mais com as suas polêmicas.

    Clovis Fragoso

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