A verdade incômoda: São Paulo nunca amou Eduardo Suplicy

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Não existiu resultado mais dolorido para o eleitor progressista de São Paulo do que a derrota de Eduardo Suplicy na eleição para o Senado. Com 58% dos votos, o ex-ministro e governador José Serra voltará ao parlamento. Aqui cabe um adendo: apesar das minhas discordâncias ideológicas com Serra, não há como negar sua contribuição como homem público. E é essa trajetória que desnudou algo admitido por poucos: o povo paulista nunca amou Suplicy. Sim, o senador pelo PT sempre foi encarado pelo eleitor como aquela menina bonitinha, boazinha, prendada e que é largada no altar pelo noivo na primeira piscada pela mulher que povoa os sonhos da cabeça daquele homem.

Provas? Simples, é só olhar as três vitórias de Suplicy. Na primeira, em 1990, Suplicy venceu com 24,69% dos votos e o segundo colocado foi o apresentador de televisão Ferreira Neto, que tinha o apoio o então presidente Fernando Collor e teve 22,22% dos votos. Para completar, o terceiro colocado foi Guilherme Afif Domingos, que na época já apresentava uma ideologia conservadora e ficou com 14,54% dos votos. Não precisa ser nenhum especialista em política para concluir que, caso tivesse uma única candidatura do campo conservador, Suplicy teria morrido na praia.

Oito anos depois, Eduardo Suplicy, já com uma candidatura malfadada a prefeitura de São Paulo terminou com 42,81% dos votos e o segundo colocado foi o ex-jogador de basquete Oscar Schimidt, com 36,65% e que tinha o apoio do então prefeito de São Paulo. Detalhe: a sua campanha em nenhum momento empolgou e mesmo assim ameaçou na reta final.

Posteriormente, em 2006, Suplicy ficou com 47,79% dos votos e teve uma disputa acirrada com Guilherme Afif Domingos, que terminou com 43,67%. Na época, dois fatores colaboraram: em primeiro lugar a performance de Aloísio Mercadante, que mesmo não levando a eleição para o segundo turno teve 31,6% dos votos e também não se pode desprezar que Lula vivia uma campanha eleitoral em pleno vapor e ainda tinha certa popularidade em São Paulo, tanto que ficou com aproximadamente 33% dos votos válidos no turno inicial. Ou seja, o parceria de Suplicy e o povo de São Paulo foi um casamento de conveniência. Terminou de modo melancólico.

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