A Rede Globo é realmente tão ruim como todo mundo fala?

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É moda entre os progressistas criticar a Rede Globo e sua linha editorial. Episódios não faltam para justificar a implicância: a manipulação no debate presidencial de 1989 e o caso Proconsult na escolha do governador do Rio de Janeiro de 1982 são exemplos singelos de como a emissora teria usado seu poder econômico para interferir no processo político.  Desde então, a emissora passou a ser odiada pelo campo de esquerda, especialmente os petistas. Dizer que assiste a Rede Globo é sinônimo de condenação sumária.

O ódio, no entanto, impede que se vislumbre alguns aspectos desta empresa na vida nacional. Deixo claro: sei que a Rede Globo tem denúncias de gente lá dentro ou em suas afiliadas que praticam assédio moral ou que impõe condições de trabalho precárias aos seus funcionários. Mas acredite: esses casos são minoritários. Em boa parte das vezes, o que sinto dos meus colegas é um imenso orgulho de trabalhar na Rede Globo ou em suas afiliadas.

Engana-se quem enumera como fator principal  a questão ideológica. A verdade nua e crua é que a emissora oferece condições de trabalho muito melhores do que suas concorrentes.

Em diversas emissoras, a prática comum é o cumprimento de jornadas de 10, 12, 15 horas, muito acima das sete horas regulamentadas por lei. E por diversas vezes com banco de horas. Na Rede Globo, pelos relatos de funcionários, as horas extras são acompanhadas por pagamento em dinheiro e não se constituem em rotina. Outra: verifique os carros de reportagem. São sempre os melhores e bem equipados, uma infraestrutura extendida para os seus portais de internet.

Diante desse cenário, é salutar fazer uma pergunta provocativa. Caso a Rede Globo seja extinta, como desejam os movimentos de esquerda, será que haverá mercado de trabalho suficiente para absorver toda a mão de obra, mesmo com uma provável Lei de Meios? Vou mais longe: será que as emissoras de televisão a serem geradas teriam condições de oferecer as mesmas condições de trabalho existentes em boa parte das unidades da Rede Globo? Esta reflexão visa atenção a um aspecto fundamental: tem gente que considera a Rede Globo um bom negócio. E quem acha tal conceito são trabalhadores comuns, gente que tira o sustento dali. E os movimentos de esquerda deveriam respeitar.

1 COMMENT

  1. Creio que ninguem quer condiçoes piores de trabalho em qualquer area de atuação. Todos os sérios críticos da Globo, se restringe apenas ao fim do monopólio da formação da opinião no Brasil e da distribuição equânime na publicidade brasileira. Se tivermos várias empresas controlando os meios, talvez tenhamos muito mais emissoras com qualidade iguais as da toda poderosa. E ainda de lambuja, poderia gerar muito mais empregos, sem o monopólio.
    A lei de meios deveria ser na verdade mudada de nome, nem parece que se quer, tão somente, que se cumpra a Constituição brasileira de 1988. Simples assim!

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